Champions a doer
Enquanto o FC Porto dava uma cabazada das antigas ao BATE Borisov, o Sporting empatava dois minutos depois dos 90 com o Maribor. E assim regressava à prova maior da Europa, contra uma equipa fraca, a contar pontos dentro do campo mas também dinheiro fora dele. Não há muitas hipóteses de “dinheiro fácil” e o jogo de ontem esteve quase a sê-lo.
Como o “Expresso” revelou na semana passada, o acordo de reestruturação financeira que o BCP e o BES (agora Novo Banco) negociaram com o Sporting previa que, em caso de chegar à Champions, mais de metade do dinheiro de entrada ia para os bancos. Dos cerca de oito milhões que o Sporting recebeu por chegar à competição, mais de quatro foram diretinhos amortizar parte da dívida. Já o dinheiro ganho em cada jogo, e que depende dos resultados, fica por inteiro nos cofres de Alvalade. No entanto, chegando ao final do ano, se o clube tiver melhor resultado económico do que o esperado, pode haver pagamento mais veloz da dívida.
São dois os gatilhos que podem acelerar o pagamento da dívida, segundo o acordo: a entrada na Champions e a venda de jogadores de determinado valor. São cláusulas que fazem sentido e que revelam que os credores passaram a ser parceiros, partilhando parte dos sucessos financeiros. E quanto mais depressa a dívida for paga, melhor para todos. Aliás, os objetivos que foram impostos pelos bancos relacionam-se com os resultados anuais, determinando barreiras que não podem ser ultrapassadas. Neste espécie de relação com a troika, o Sporting tem cumprido, o que vai agradando aos bancos, coisa que já não se via há alguns anos. No entanto, a tarefa pela frente é ainda muito dura, dado o nível de endividamento herdado. E mesmo que as taxas de juro cobradas sejam a preço de amigo, o Sporting ainda anda a trabalhar para pagar dívidas. A trabalhar e a jogar. Haja Champions.
