Chegou a hora de Vieira?
Ao Benfica, quando parece não poder acontecer mais nada, surge sempre um novo "terramoto". Dias depois de uma histórica e vergonhosa derrota caseira com a sofrível Académica, as águias conseguiram a proeza de ceder nas meias-finais da Taça de Portugal, depois de aos 65 minutos estarem a vencer 2-0 em Alvalade. E quebraram "encaixando" 5 golos em pouco mais de duas dezenas de minutos! Um registo que, tal como o anterior, também vai direitinho para a história do clube. Só que não para as páginas douradas. É mais para as cinzentas, aquelas que têm aumentado significativamente nos últimos tempos.
Quando o Benfica perde em Alvalade ou o Sporting na Luz, os adeptos trocam uns "piropos", futebolistas e técnicos usam os discursos de ocasião, mas tudo prossegue dentro da normalidade. Mas, quando a equipa da casa vence depois de estar "encostada às cordas" ou quando o conjunto que tem 2 golos de vantagem resolve apanhar 5 num instante - com a particularidade de terem começado quatro do mesmo lado -, o povo reage de outra maneira, com intensidade, mas também com indignação. E a tendência é encontrar culpados. Justa ou injustamente, isso são trocos...
Chalana, já se sabia, estava só a cumprir calendário. E agora, após ter visto a Taça de Portugal fugir desta forma (e depois da vantagem na luta pelo segundo lugar na Liga se ter transformado em atraso), dificilmente será visto como alguém com capacidade para comandar uma equipa obrigada a vencer. A partir de agora, o ex-internacional estará para sempre condenado a ser apenas mais um na estrutura do futebol encarnado. E isto partindo do pressuposto que os responsáveis não serão ingratos. É que para muita gente, Chalana já nem deve continuar no clube. Devem recordar-se, contudo, que este é dos menos culpados de tanto deslizes ao longo dos últimos meses.
Curioso será avaliar, entre as "ondas de choque", o posicionamento de Luís Filipe Vieira. Ou melhor: de que lado vão ficar a maioria de sócios e simpatizantes das águias? O estado de graça de Vieira há muito que acabou. E a conversa do "Apito Dourado" já não encanta ninguém. Tudo o que líder do Benfica apregoa até pode ser verdade, mas que relação terá isso com a péssima gestão do futebol, com as constantes entradas e saídas, com as contratações erradas, com as inúmeras opções desportivas que, logo à partida, parecem destinadas ao insucesso?
Vieira, tal como todos os dirigentes ou treinadores, estará sempre refém dos resultados, das vitórias ou, pelo menos, das boas exibições. E a verdade é que desde que tomou conta dos destinos do clube, o presidente tem conquistado poucos êxitos. E é isso que o povo persegue.
Vieira, melhor que ninguém, sabe que a sua "cabeça" começa a estar "a prémio". A aparente estabilidade financeira não chega para segurar a contestação interna, inclusive dentro dos próprios órgãos sociais do clube. Na Luz, como em Alvalade ou noutro qualquer local, a ascensão, glória e queda dos dirigentes é cíclica. A excepção mora no Porto, com Pinto da Costa. Mas esse, recorde-se, só é rei e senhor... porque ganha. Muitas vezes, acrescente-se!
