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Cheira a esturro
Fui dos que ficaram satisfeitos com o desencadear da Operação Apito Dourado. Não por qualquer prazer mórbido em relação às detenções de Valentim Loureiro ou qualquer dos outros arguidos, mas porque acredito que há muita coisa errada no futebol português. Estou de acordo com Dias da Cunha. Acredito que o sistema existe.
Acho muito estranha a demissão dos responsáveis pela operação. Não é a primeira vez que as decisões de Adelino Salvado me deixam perplexo. Outras acções do director nacional da Polícia Judiciária - em assuntos extradesportivos - lembram-me a velha história do elefante em loja de porcelana. Por falta de visão estratégica da minha parte. Só pode.
Com uma certeza fico. Esta decisão não vai beneficiar a operação. Deve mesmo estar a comprometê-la a cada minuto que passa. Os "tubarões" do nosso futebol agradecem. Basta ver como têm andado caladinhos e sossegados para perceber como até aqui estiveram de... coração apertado.
Hoje em dia a justiça é um terreno pantanoso em Portugal. Como sempre foi, dirão muitos. Há até coisas melhores. Os conhecidos e poderosos também são incriminados. Ainda não são presos, é verdade, mas pelo menos já têm o seu nome conspurcado como qualquer pessoa normal sem direito a defesa.
O mais triste é que não passa disso. Muito raramente. Apenas Vale e Azevedo acabou por ir parar atrás das grades. Curiosamente, foi ele o primeiro a afrontar o tal sistema. Engraçado, não é?
Só tenho uma certeza. O sistema abanou. Mas não caiu. Que saudades de Maria José Morgado.
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Cláudio Saúde04 novembro 2026 - 18:03