Clássico de decisões

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Sem margem para erro. É desta forma que FC Porto e Sporting vão entrar domingo no Estádio do Dragão. Enquanto os portistas ainda sonham com o título, os leões jogam possivelmente a sua cartada final para ainda conseguirem o apuramento direto para a Liga dos Campeões na próxima época, por via do 2.º lugar. Muito provavelmente, este jogo acabará por hipotecar, ou dificultar ainda mais, as ambições de uma ou ambas as equipas.

Para lá da rivalidade que se acentuou nos últimos tempos, e sobretudo pelo que está verdadeiramente em jogo, este será um clássico tenso. Com as equipas totalmente concentradas e muitas marcações apertadas. Qualquer deslize pode ser fatal, pelo que o duelo tático entre Julen Lopetegui e Marco Silva pode muito bem ser a chave de desbloqueio desta partida.

Do ponto de vista económico, e perante a possibilidade real de chegar aos quartos-de-final da Champions, superando as suas expectativas orçamentais nesta prova, a garantia do 2.º lugar na Liga permite que o FC Porto consiga cumprir ou até exceder as suas metas financeiras. Por esta ótica, uma vitória dos dragões no jogo de domingo significaria praticamente a garantia de que o enorme investimento feito esta época sustentará um dos maiores orçamentos da história do clube.

Até um empate pode ajudar o FC Porto a cumprir os seus objetivos financeiros, mas seria totalmente inaceitável encarar assim o clássico, colocando de lado a vertente desportiva. E por isso os portistas terão mais uma final pela frente, onde só a vitória lhes interessa para continuarem a acreditar em chegar ao topo. O sucesso não se mede pela conta bancária, mas sim pelos troféus conquistados. Sempre foi esta a filosofia do clube.

Do lado do Sporting, e face ao atraso de cinco pontos para o rival nortenho, só mesmo repetindo a façanha da Taça de Portugal é que poderá pensar em replicar o vice-campeonato da época passada, cenário que garantiria os milhões da liga milionária, tão necessários para resolver os problemas financeiros do clube.

Marco Silva terá de lidar com o maior desgaste da sua equipa em função do jogo de ontem e encontrar um conjunto com os melhores índices de frescura possíveis. Por sua vez, Lopetegui estará a pensar na melhor alternativa para o lugar de Óliver Torres, elemento com um papel cada vez mais crucial na equipa. Entre Quintero, Evandro ou Brahimi, um deles assumirá a batuta e tentará criar desequilíbrios no miolo do terreno.

Usando o recente jogo entre Sporting e Benfica como barómetro, no qual os extremos de ambas as equipas foram neutralizados com grande eficácia pelos laterais, é bem provável que o controlo da bola em zonas interiores venha a fazer a diferença. E jogadores criativos como Quintero, Brahimi, Nani ou João Mário poderão ser decisivos nessa zona.

A nível pessoal, para Lopetegui este é um teste importante. Depois de um empate em Alvalade e duas derrotas no Dragão, esta pode ser a sua primeira vitória num clássico. E é normalmente neste tipo de jogos, que mais ficam na memória, que um treinador consegue convencer e empolgar a sua massa associativa. E ele já começa a conhecer a cultura de vitória dos portistas.

Para Marco Silva, e depois do fatídico golo sofrido nos descontos com o Benfica, que colocou a sua equipa num baixo estado anímico, o jogo com o FC Porto pode muito bem ser o tónico que ele e os seus jogadores precisam para recuperar a alegria nesta fase final da temporada.

Um maestro a jogar bonito

Apesar da tenra idade, Óliver Torres é neste momento um dos jogadores mais importantes no puzzle de Lopetegui. Um centro-campista intenso, que não foge da bola e chama a si a responsabilidade de orquestrar as jogadas ofensivas do FC Porto. É ele quem muitas vezes faz a máquina funcionar, descendo no terreno para começar a construir e encontrar linhas de passe e lances perigosos. Dotado de um excelente recorte técnico, lembrando jogadores de outros tempos, joga com a bola colada no pé e cabeça levantada. E finaliza bem. Tem tudo para ser um dos grandes jogadores europeus no futuro.

Nomeações sem critério

Árbitros que chegam a internacionais sem terem apitado jogos dos grandes, juízes que desceram de divisão (mas foram repescados) nos melhores jogos, escolhas pouco consensuais em partidas decisivas e alguns árbitros a raramente apitarem partidas de determinados clubes. Assim vai a arbitragem nacional. Com ou sem sorteio, é urgente encontrar critérios mais eficientes e que transmitam uma maior transparência ao adepto do futebol. E basta seguir este pensamento: os melhores árbitros devem estar nos melhores jogos. Nem sempre tem sido assim.

Uma lição vinda da Escócia

O que aconteceu no futebol escocês devia servir de lição para os portugueses. O gigante Rangers faliu e começou de novo nas divisões inferiores. Os adeptos do Celtic regozijaram-se com o facto, mas a verdade é que a Liga escocesa perdeu interesse, fugiram patrocinadores e o próprio Celtic perdeu força dentro e fora do país. Em Portugal, os grandes clubes distraem-se em guerrinhas sem olhar para um interesse comum: a sustentabilidade do seu negócio. Sem o necessário contributo de todos, será que vão a tempo de evitar problemas maiores?

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