Clássico dos milhões
Durante muito tempo dizia-se que o 2.º classificado era o primeiro dos últimos. Com o surgimento da Liga dos Campeões, e dos prémios monetários recebidos com o apuramento para esta competição, isso deixou de fazer sentido. O 2.º posto hoje vale milhões e, com o título a uma distância pontual difícil (mas não impossível) de recuperar, torna-se num objetivo prioritário, desportiva e financeiramente, para Sporting e FC Porto.
O clássico será, por isso, um “jogo de milhões”, onde leões e dragões farão tudo para ganhar. Para isso jogarão com as suas melhores armas e, num jogo que se espera renhido, a inspiração individual dos jogadores poderá fazer a diferença no desfecho final da partida. Estas são as minhas apostas, cinco de cada lado, de quem poderá sobressair no próximo domingo.
Rui Patrício está, provavelmente, a realizar a melhor época de sempre. O guardião leonino está mais confiante e tem dado segurança ao sector defensivo do Sporting, realizando defesas que valem pontos e mostrando a frieza necessária para os grandes momentos. Do outro lado estará Jackson Martínez, avançado mortífero que reencontrou os caminhos do golo nas duas partidas com Arouca e Nápoles. E com a equipa portista a voltar ao modelo tático tradicional, o colombiano beneficia disso.
Mangala é um elemento muito importante na defesa portista. Fazendo uso da rapidez e capacidade física para neutralizar os adversários, tem também no forte jogo aéreo um trunfo que se pode fazer notar nas duas áreas, sobretudo em lances de bola parada. Já o argelino Slimani, titular nos últimos jogos, tem correspondido com golos. Além da entrega e boa movimentação, o avançado joga bem de cabeça, sendo um perigo a qualquer momento.
William Carvalho é a revelação deste campeonato e um jogador vital na estratégia de Leonardo Jardim, dando outra dimensão à equipa. Sem ele, o Sporting é diferente para pior. É por ele que passa a construção de jogo leonina, sendo elo de ligação entre defesa e ataque. De volta à titularidade no FC Porto, o belga Defour, em bom momento, traz maior organização e dinâmica ao futebol portista.
Ricardo Quaresma rapidamente se tornou numa referência no ataque azul e branco. Dos seus pés, o perigo é constante, sendo possível que saia um lance de génio capaz de criar desequilíbrios. Além disso, o extremo regressou ao futebol português com o pé quente, apresentando uma veia goleadora acima do habitual nele. Por sua vez, o lateral Jefferson tem estado em excelente plano, municiando o corredor esquerdo sem comprometer na defesa, potenciando várias ocasiões de golo com cruzamentos e assistências.
Adrien Silva tem organizado o futebol sportinguista com classe e inteligência, exibindo um excelente preenchimento de espaços e leitura de jogo. É uma peça que faz trabalhar a máquina leonina, dando fluidez ao meio-campo. Apesar da instabilidade defensiva que caracteriza o FC Porto desta época, Danilo tem sido um dos elementos com maior regularidade. O fecho de espaços na lateral, as rápidas incursões pela direita e as suas frequentes aparições em zona de finalização serão potencial fonte de perigo em Alvalade.
E há sempre os heróis improváveis que costumam aparecer nos grandes jogos. Luís Castro e Leonardo Jardim poderão tirar um coelho da cartola, e jogadores como Guilas, Quintero, Carrillo ou Capel, entre outros, podem ter espaço para brilhar num jogo mais decisivo do que se previa há cerca de um mês para o destino das duas equipas.
O CRAQUE
Boa aposta sadina
Ricardo Horta é um dos vários jovens portugueses que nos últimos tempos têm despontado no V. Setúbal. Depois da venda de Rúben Vezo ao Valência, o internacional sub-21 português é um dos maiores ativos da equipa sadina, estando a despertar a cobiça de vários clubes europeus. Tecnicamente evoluído, veloz e forte no um para um, o avançado de 19 anos está a surpreender pela positiva no seu primeiro ano de sénior, tendo já apontado 4 golos na Liga. O jovem extremo está a revelar-se uma boa aposta desportiva e financeira.
A JOGADA
Um mal comum a todos
Sem colocar em causa a indignação e razão dos clubes que se sentem prejudicados por arbitragens negativas, até porque alguns erros que vimos roçam os limites da incompetência, seria igualmente positivo que os mesmos clubes falassem dos jogos em que colheram benefícios dos erros dos árbitros. É um mal comum a todos os clubes. Repito: sejam verdes, brancos, azuis, vermelhos ou amarelos, sempre que se sentem lesados, todos protestam, assobiando para o lado quando o contrário ocorre. O futebol português não evoluirá com vozes a pregar “limpinho, limpinho” ou “sujinho, sujinho” quando dá jeito.
A DÚVIDA
A luta pelo poder
Numa altura em que se perfilam eleições na Liga de Clubes, promovidas pelos mesmos clubes que elegeram Mário Figueiredo, fica a ideia que não é a falha de um projeto que está em causa, mas sim a luta pelo poder, onde se jogam os direitos televisivos, a regulamentação do jogo online e outras causas que mexem com milhões de euros. Não deveriam estar os clubes mais preocupados com o seu próprio negócio? Em promover maiores assistências nos estádios, com preços e horários mais atraentes? Em captar patrocinadores para as competições em que participam? E que soluções para os salários em atraso?
