Coitados dos albaneses?
Portugal joga sábado, em Tirana, aquilo que se espera ser a primeira de cinco finais na fase de qualificação para o Mundial sul-africano do próximo ano. Conquistar os 3 pontos já não é uma questão de dar jeito: é obrigatório. Perder ou empatar significa, desde logo, o adeus a uma corrida que, à primeira vista, até parecia tranquila. E se tivermos em conta o passado recente da Selecção... falhar um Campeonato do Mundo é tão inesperado quanto péssimo.
No lançamento do jogo, Carlos Queiroz não podia ter sido mais optimista. Quem, melhor do que ele, poderá incutir uma mensagem de confiança às "tropas", garantindo que praticamos o melhor futebol do grupo e que, de uma vez por todas, a bola vai começar a entrar na baliza contrária? Provavelmente ninguém!
Mas, se considero positivo ouvir um discurso do género, procurando elevar os níveis de motivação de um grupo que há meses procura conciliar uma boa exibição com um resultado favorável, assumo que não entendo a passagem em que o seleccionador afirma que não gostava de estar no lugar dos opositores deste sábado. Concordo que, futebolisticamente falando (e não só), poucos invejam a sorte dos albaneses mas, nesta altura, avançar com uma tirada destas é, no mínimo, arriscado. E até descontextualizado. Dinamarqueses e húngaros - e inclusive os suecos - é que podem gritar que não gostavam de estar na pele... dos portugueses!
Contra as previsões, ainda por cima depois de começarmos com uma goleada em Malta, a Selecção Nacional enfiou-se num buraco tão fundo que, de momento, poucos acreditam ser possível descobrir a saída a tempo de evitar um fracasso. Eu, não sendo tão optimista quanto Queiroz, ainda acredito. Essencialmente porque considero que Portugal tem, hoje em dia, um leque de jogadores capazes de, com normalidade, despachar adversários que, tendo qualidade, não são do "top" do futebol mundial. Mas, sejamos realistas, a situação está para lá de complicada. E se voltarmos a ser impotentes para bater a Albânia, o melhor é mesmo não ir à África do Sul.
Não me esqueço que Queiroz era um dos meus favoritos para suceder a Scolari - não faço parte do grupo dos que consideram o ex-adjunto do Manchester United apenas um bom treinador para a formação ou ajudante acima da média - mas assumo que, nesta caminhada, também o seleccionador tem tido as suas responsabilidades na má prestação. Falar apenas da falta de sorte (que tem sido evidente) não explica tudo. Queiroz, por muito que lhe custe admitir, já cometeu vários erros: da elaboração das listas de convocados à formação dos "onzes", passando pelas tácticas utilizadas ou pelas substituições efectuadas. E para além dos erros, parece também andar com queda para opções enigmáticas. Por exemplo: alguém faz ideia da razão porque foram convocados 4 guarda-redes quando somente foram chamados dois (Hugo Almeida e Edinho) pontas-de-lança? Algo aqui não bate certo. Ou então, pegando num tema tão na moda nos últimos tempos na Selecção, o burro sou eu. É que por mais que tente perceber isto... não chego lá.
