Começou agora?

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Começou agora?
Começou agora?

É tentador ver em Paulo Fonseca a causa da crise do FC Porto. Mas é também meio caminho andado para as hostes portistas criarem uma barreira de fumo em torno das raízes da crise. Estas são mais profundas.

Não há dúvidas que Fonseca não esteve à altura de uma equipa que tem de jogar sempre para vencer. É ainda mais surpreendente que tenha falhado depois do FC Porto ter chegado a ter uma margem de segurança pontual significativa. Mas bastava ver a forma desequilibrada como funcionava o meio-campo do FC Porto, criando buracos na defesa (onde estão os seus melhores jogadores) e não permitindo à equipa ter um sistema de jogo ofensivo, para se perceber que estavam reunidas as condições para as coisas correrem mal.

A questão é que não é aqui que reside o essencial da crise do FC Porto. Na verdade, os resultados nas últimas duas temporadas serviram para iludir problemas que pairam há algum tempo. Convém ter presente que Jesus facilitou a vida ao FC Porto nos últimos campeonatos, dando de bandeja dois títulos.

Mas se os resultados das épocas anteriores disfarçaram os problemas, eles hoje estão à vista de todos. Desde logo, o FC Porto tem vendido ótimos jogadores, em negócios de milhões, que têm sido substituídos por jogadores bem inferiores – muitos adquiridos por valores inexplicáveis. Por mais competente que fosse Fonseca, dificilmente faria milagres com as opções disponíveis para o meio-campo ou com as soluções que tinha no banco.

Aliás, os negócios do FC Porto, enquanto enfraquecem o plantel, têm tido um outro efeito: nas vendas e nas compras tem-se degradado a relação com os adeptos – que têm dúvidas sobre a gestão de tantos milhões. Se juntarmos as ausências de Pinto da Costa, que deram o tiro de partida para a sucessão, está criado o contexto para um clima de perturbação sem paralelo nas últimas décadas, que ecoa no balneário. Não por acaso, no meio da confusão interna, o FC Porto perdeu a hegemonia nas estruturas que controlam os órgãos relevantes do futebol (da Liga à arbitragem).

Talvez assim se perceba como os falhanços de Fonseca são o menor dos problemas do FC Porto. Problemas que não começaram agora.

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