Comissão de serviço para o Zé

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A saída de José Mourinho do Chelsea não me surpreende. Só não esperava é que acontecesse agora, quando a nova temporada futebolística está a dar os primeiros passos. Tendo em conta este inesperado “timimg” do divórcio, creio que ninguém fica a ganhar. Ou melhor: ambos os lados ficam a perder. O clube porque vai passar a ser gerido por alguém que não vai ter, pelo menos de entrada, o balneário na mão – um dos grandes trunfos do técnico português, embora fossem famosos os seus arrufos com Shevchenko ou Ballack – e o treinador porque, agora, pese a choruda indemnização que deve estar a caminho da sua já gorda conta bancária, vai ter de ficar à espera de um posto de trabalho. E ele, já se sabe, precisa de estar no activo, de sentir a adrenalina da competição.

Era público que o relacionamento entre Abramovich e o técnico português não era o melhor há muito tempo, razão pela qual a demissão (ou o despedimento) seria uma consequência lógica. Ainda por cima, a maneira de ser do sadino não dava espaço para aproximações significativas. Mourinho sempre foi “senhor do seu nariz”, nunca gostou de ver a sua autoridade colocada em causa, de ser criticado ou questionado. Tal postura, é verdade, ajudou-o a chegar ao topo, mas perante um milionário que baseia o seu poder apenas e só na força do dinheiro... a sua guerra estava perdida.

Ainda por cima, por opção própria, Mourinho construiu à sua volta uma teia de invejas. Desde que chegou a Inglaterra, provocou adversários, dirigentes, árbitros, adeptos e jornalistas. A todos, por isto ou aquilo, com ou sem razão, fez questão de mostrar o seu espírito destemido. Cedo se percebeu que, mais tarde ou mais cedo, teria de acabar mal, pois nem Mourinho, mesmo assumindo-se como Especial, consegue ganhar sempre.

E foi exactamente por não conseguir vencer sempre que a passagem de Mourinho pelo Chelsea acabou assim. É que desencontros à parte, tenho a certeza que se os “blues” tivessem derrotado o Blackburn Rovers e o Rosenborg, nas duas últimas partidas em Londres, a separação não tinha acontecido... agora. E se tivesse juntado à extensa lista de sucessos no clube uma Liga dos Campeões, talvez tudo fosse diferente. Mourinho, tal como qualquer outro treinador, também foi vítima dos resultados.

Agora, e enquanto se prevê que este divórcio faça com que muita “roupa suja” venha a público, é hora de começar a pensar no futuro de Mourinho. Para mim, o seu próximo clube será o Real Madrid, Barcelona ou Inter. Resta saber quem irá “descarrilar” mais depressa nos seus compromissos. Mas, enquanto isso não sucede, não me importava de o ver fazer uma comissão de serviço na Selecção Nacional, agora que já se sabe que Scolari não pode estar no banco nos quatro jogos decisivos para Portugal chegar ao Euro 2008. Enfim, é só uma sugestão minha e provavelmente de mais uns quantos milhões de portugueses!

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