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A melhor síntese do jogo que o Benfica não conseguiu ganhar ao FC Porto vem das palavras dos dois treinadores logo nos minutos seguintes ao apito final. Vítor Pereira, corajoso, mandão, a raiar o arrogante. Jorge Jesus, titubeante, como preso por um qualquer complexo de inferioridade, empilha lenha para se queimar nos elogios a um árbitro que não merecia as críticas vindas do Dragão.
Sempre que a equipa de Jesus defronta o FC Porto, testemunha-se um encolhimento, uma incapacidade de mandar no jogo. Uma preocupação com o equilíbrio que impede os jogadores de soltarem o futebol que conseguem mostrar habitualmente. Ao contrário, o FC Porto pode não estar a jogar bem. Pode ter jogadores determinantes em falta, pois, mesmo assim, entra na peleja para dominar, com crença coletiva bastante para vencer. O estádio é o da Luz, na bancada mais de 60 mil inclinam o campo a favor dos encarnados, mas na relva o comando é dos azuis e brancos.
É certo que o jogo terminou empatado e que a última grande oportunidade coube a um Cardozo pouco frio, mas o FC Porto mandou na bola, na velocidade, no jogo. E assim disfarçou todas as suas fraquezas. No terreno, o FC Porto falou grosso e forte como o seu técnico. E o Benfica andou meio atarantado como o discurso do seu técnico, que parece não conseguir ultrapassar um qualquer trauma inculcado por Pinto da Costa.
P.S. – O Sporting venceu finalmente fora, Oceano parece aceitar a liderança de Jesualdo Ferreira, e a equipa voltou a ser solidária. Mas Jesualdo tem toda a razão: ainda é muito cedo para poder decretar o fim da crise. O onze tem alguns desequilíbrios que só uma série de vitórias poderá escorar.
