Conquista merecida

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Conquista merecida
Conquista merecida

Diz o ditado que “candeia que vai à frente alumia duas vezes”. Esta frase retrata um pouco do que se passou no campeonato português, a partir do momento em que o Benfica chegou à liderança isolada da 1.ª Liga. Com a confiança a crescer de jogo para jogo, a partir desse momento as águias embalaram para uma série de boas exibições que lhe permitiram superar a concorrência e conquistar o título.

Com futebol ofensivo e uma defesa consistente, a melhor da era Jorge Jesus no Benfica, o mérito do novo campeão é inegável. No entanto, não deixa também de ser verdade que houve algum demérito da concorrência, que não esteve à altura. O FC Porto esteve muito abaixo do esperado (tem menos 14 pontos do que no ano passado) e o Sporting, apesar da excelente temporada que realizou (mais 30 pontos do que na época anterior), mostrou ainda não ter os argumentos necessários para sonhar com o título.

A manutenção de Jorge Jesus no comando técnico encarnado, muito contestada por uma grande franja de adeptos no final da época passada, acabou por ser vital. Luís Filipe Vieira acreditou nas qualidades do treinador, mais do que comprovadas pelas excelentes prestações a nível interno e externo, assim como na valorização de jogadores, e viu a aposta ganha com os resultados que se estão a ver, com a conquista do campeonato e ainda a disputar Liga Europa e Taças de Portugal e da Liga.

Com apenas cinco golos sofridos em 16 partidas do campeonato, o guarda-redes Oblak foi a grande revelação deste Benfica e, provavelmente, o elemento-chave que mais contribuiu para defesa compacta que as águias exibiram na segunda volta. O jovem guardião esloveno trouxe maior segurança à defesa e as qualidades exibidas indiciam que estaremos na presença de um jogador de topo mundial dentro de alguns anos.

Juntamente com Oblak, os centrais Luisão e Garay também foram essenciais para a solidez defensiva patenteada. Uma dupla experiente, bem sintonizada, que foi capaz de se complementar e tapar os caminhos da sua baliza de forma eficaz. Além disso, tanto o brasileiro como o argentino, fortes no jogo aéreo, foram extremamente mortíferos em lances de bola parada e ajudaram a desbloquear alguns jogos difíceis com golos importantes.

No meio-campo, e depois da saída de Matic para o Chelsea, Enzo Pérez assumiu-se como a principal referência encarnada. Incansável a pressionar os adversários, a recuperar bolas e a construir o jogo ofensivo, o argentino foi o pêndulo de uma equipa de alta rotação. O motor que fez funcionar a máquina ofensiva do Benfica sem comprometer o equilíbrio defensivo. Enzo Pérez, que era extremo de origem, é hoje um centro-campista moderno com muita qualidade. Arrisco em dizer que foi um dos três melhores jogadores da equipa.

Os outros dois artistas maiores foram Nico Gaitán e Lazar Markovic, capazes de resolver jogos através da inspiração individual, por força do elevado recorte técnico e inteligência tática que possuem. Em jogos mais complicados, apareceu sempre um lance de génio do argentino ou do sérvio, para a equipa se reencontrar. Sorte do treinador ter no seu plantel dois atletas com estas características.

E numa época em que Cardozo pouco jogou, surgiu a afirmação de Rodrigo, um avançado que juntamente com Lima formou uma dupla letal, espalhando o perigo pelas defesas adversárias através da facilidade de desmarcação, velocidade de processos e eficácia demonstrada. Com um plantel rico em soluções como este, o título surgiu com naturalidade.

O CRAQUE

Potencial para crescer

No meio de uma época atípica para o FC Porto, com muitas contratações a não conseguirem mostrar o seu real valor, o português Ricardo tem sido uma boa surpresa e promete crescer ainda mais. Capaz de jogar a lateral ou a extremo, no lado esquerdo ou direito, é um jogador raçudo que não vira a cara à luta, sempre determinado a cumprir o que lhe é pedido. Nota-se que tem fibra e não quebra perante as adversidades. Este “canivete suíço” é um excelente valor e tem potencial para crescer ainda mais no decorrer da próxima temporada.

A JOGADA

Bom momento do Rio Ave

A realizar uma época tranquila na Liga e a apontar baterias para as finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga, o Rio Ave está num excelente momento. Depois de ter ficado perto de se apurar para a Liga Europa no ano anterior, a equipa vila-condense garantiu agora esse objetivo e promete discutir as taças nacionais. Além disso, irá também disputar a próxima edição da Supertaça. Um marco na história deste clube, que possui uma equipa com qualidade, bem comandada por Nuno Espírito Santo, treinador que já começa a justificar um desafio maior.

A DÚVIDA

As assistências nos estádios

Um estudo da UEFA revelou que, durante a época passada, a assistência média da Liga portuguesa foi de 9.803 espetadores por jogo, uma marca que nos coloca atrás de divisões secundárias de Inglaterra, Alemanha e Espanha e de países como Bélgica, Rússia, Turquia e Ucrânia. Sendo atualmente a quinta maior potência do ranking da UEFA, as assistências nos estádios não correspondem ao estatuto adquirido pelo nosso país. Urgem medidas que possam atrair mais pessoas ao futebol. Será que os clubes portugueses têm interesse em discutir esta matéria?

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