Conversa da treta (versão leonina)

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Depois de muitos avanços e recuos, o desejado debate entre Soares Franco e Dias da Cunha foi mesmo em frente. Mas, após cerca de uma hora de conversa pouco ou nenhum "sumo" se viu. Apesar de uma entrada serena, com os dois antagonistas a optarem por um trato cuidado, rapidamente a coisa desceu de nível. E directa ou indirectamente lá vieram as acusações disto e daquilo, não faltando sequer interessantes passagens como "isso é mentira" (dezenas de vezes), "você não percebe de números", "você não sabe o que diz", "você enganou-me" ou "isto é uma tristeza"...

Numa altura em que o Sporting se prepara para definir o caminho a traçar nos próximos tempos, era conveniente que o actual e o ex-líder protagonizassem um debate vivo, esclarecedor e profícuo. E isto tendo sempre uma perspectiva futura, pois se há (ou houve) erros, o mais importante é olhar em frente. O que ficou para trás, não devendo ser esquecido, já faz parte da história. Mas, ao invés, o que se viu foi uma conversa que, seguramente, não ajudou os sportinguistas a definir o seu pensamento sobre matérias tão importantes que, grosso modo, são fulcrais para a continuidade do clube como um dos baluartes do desporto nacional. O que se passou ali foi uma autêntica lavagem de roupa suja, cada qual tentando atirar para cima do outro a responsabilidade pela preocupante situação financeira do clube.

Soares Franco e Dias da Cunha até podem ter tido toda a razão nos argumentos técnicos que apresentaram sobre empréstimos, acções ou fundos (é difícil que a razão assista, na totalidade, aos dois... ) mas tenho a certeza que a maioria dos associados e adeptos leoninos não possuem conhecimentos suficientes para avaliar o que para ali foi dito. Eu, assumo, ouvi tudo com muita atenção mas como não sou "expert" em contabilidade ou em operações financeiras (hoje em dia é complicado encontrar alguém que seja, de facto, entendido na matéria, como temos observado por cá, nos "States" e um pouco por todo o lado...) fiquei na mesma. Ou quase, pois confirmei que ambos se esqueceram, em devido tempo, de nos contar determinadas coisas. Adiante.

No final, embora fosse evidente que Soares Franco falou melhor (Dias da Cunha nunca foi forte nesta área), fiquei com a sensação de que ninguém saiu vencedor do duelo. Pior: creio que perdeu o Sporting. O clube, os seus sócios e adeptos, mereciam que neste debate se falasse de futebol (continuidade de Paulo Bento, venda de jogadores, renovação de Liedson, posição futura perante a Liga, relação com os rivais, etc, etc); de ecletismo; do problema do afastamento contínuo dos adeptos/quebra do número de associados; da falta de pelo menos um pavilhão para as modaliades, etc, etc. Mas isso, claro, não foi tema de conversa. Só houve tempo para conversa da treta. Foi pena.

PS - Não me compete a mim traçar ou definir as opções editoriais da SIC Notícias, mas não entendi como foi possível não aproveitar a presença de Soares Franco e Dias da Cunha num directo para forçar os participantes a falar sobre outros temas relevantes da realidade leonina. E a questão da falta de tempo não chega para mudar de opinião. O programa seguinte, com todo o respeito, podia começar um pouco mais tarde, até porque ele próprio arrancou com a análise ao debate. Essencial era "obrigar" os antagonistas a falar de outras coisas e não apenas do que lhes apetecia.

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