"Corrupção" no papel e no cinema

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Não sou muito dado a modas, mas assumo que já fui ver o "Corrupção" a uma das 55 salas que exibem, de momento, a película filmada por João Botelho mas que, oficialmente, não tem realizador.

Fui ao cinema por mera curiosidade embora, por motivos profissionais, já tivesse lido o livro que esteve na origem do filme. No papel, a estória de Carolina Salgado pareceu-me interessante, mesmo tendo ficado com a ideia que tudo aquilo não passou de uma acção de vingança de alguém que, de repente, tinha sido colocada de lado. Mas, como defendi na altura, não tenho qualquer prazer em saber o que se passa com a vida íntima desta ou daquela figura pública. Apenas considero que, acusações tão graves, mereciam (e continuam a merecer) a devida investigação.

Voltando ao filme. Aquilo que se propunha ser o maior sucesso de bilheteira da indústria cinematográfica cá da terra resume-se, na minha opinião de espectador, a 93 minutos de cenas mal encadeadas, de cenários escolhidos com pouco critério, de representações sofríveis (salva-se, a espaços, Margarida Vila-Nova com uma boa caracterização) e de um argumento pouco claro ou mesmo confuso.

Não faço ideia se os 18 minutos "cortados", bem como as restantes alterações feitas pelo produtor, estão na origem deste resultado que qualifico de fraquinho. Mas, pelo que vi, não há maneira de a versão original ser suficiente para salvar um filme perfeitamente dispensável.

Quem leu o livro e/ou está por dentro do que tem sido noticiado em torno do "Apito Dourado" consegue, com maior ou menor dificuldade, entender o que se passa na tela mas, quem entrar na sala sem "background", corre sérios riscos de só perceber que Carolina Salgado e Pinto da Costa são os protagonistas da trama.

Em suma, faço parte das estatísticas de quem já foi ver o filme, mas não o aconselho a ninguém.

PS 1 - Acredito que há muito tráfico de influências no futebol português. Logo, não me admiro de ouvir falar em jantaradas, agressões, compra de favores, árbitros corruptos, magistrados, polícias e jornalistas pouco honestos. E tenho a certeza que as "jogadas de bastidores" não se limitam a meia dúzia de envolvidos, localizados a Norte ou Sul.

PS 2 - Não faço ideia se o que Carolina Salgado conta no seu livro é tudo verdade. Tenho dúvidas. Mas, ao mesmo tempo, também acho impossível ser tudo um chorrilho de mentiras. Mas, sinceramente, não consigo ver a senhora na pele de paladina da honestidade. Tive essa sensação quando acabei de ler o livro; reforcei-a após o visionamento do filme.

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