Craques fora do banco!

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Craques fora do banco!
Craques fora do banco!

Esta semana realizou-se a segunda jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões e recordei-me da última final disputada em Lisboa, no Estádio da Luz. O meu Atlético Madrid jogou contra o eterno rival Real Madrid. A equipa dos portugueses Cristiano, Pepe e Coentrão era a grande favorita, a diferença de orçamentos entre clubes era abismal, mas nem sempre é o dinheiro que joga ou ganha jogos, e mais uma vez tivemos a prova disso. Ao longo dos 90 minutos existiu um Atlético bem superior, que ganhava por 1-0, mas, nos descontos, quando faltava apenas um minuto para terminar o encontro para o clube entrar na história e 60 segundos para o David vencer o Golias, eis que surge um canto e Sergio Ramos faz o golo do empate. O jogo vai para prolongamento e aí acabou por ser melhor o Real Madrid e vencer a Liga dos Campeões.

Lembro-me de tudo isto porque em 2012, quando o Atlético Madrid ganhou a Liga Europa, eu escrevi, e disse na altura, que se uma equipa ganha esta competição, ou chega à final, pode também sonhar com a Champions League. Vários foram os debates que tive em Espanha sobre este tema e, dois anos depois, a grande equipa de Cholo Simeone deu-me toda a razão, faltando-lhe apenas um minuto para conseguir uma proeza histórica. Se virmos bem, as equipas que chegam aos quartos-de-final e meias-finais da Liga Europa são normalmente equipas de topo a nível europeu. O ano passado, por exemplo, o Benfica teve de eliminar a poderosa Juventus para chegar à final. Há dois anos disputou a final com o Chelsea. Isto só vem demonstrar que numa eliminatória a duas mãos, ou numa final, o orçamento não joga e tudo pode acontecer. O exemplo mais recente é o do Atlético Madrid: para chegarem à final de Lisboa eliminaram equipas como o AC Milan, Barcelona e Chelsea, todas elas com um orçamento quatro ou cinco vezes superior. O mais difícil acaba por ser a qualificação na fase de grupos. Essa é a grande complicação para as equipas que normalmente não são favoritas a vencer o título europeu. Mas, quando conseguem chegar aos oitavos-de-final, aí tudo pode acontecer!

E por quê tudo isto? Por que o Benfica cometeu a proeza de estar na final da Liga Europa nos últimos dois anos. E por que não chegar à final da Champions League? O FC Porto foi a última equipa portuguesa a ser campeã europeia, e por que não voltar a sê-lo novamente? Para que tal aconteça, têm de passar esta primeira etapa da fase de grupos, que é muito difícil.

Por isto, surpreendeu-me os onzes iniciais de Lopetegui e do meu amigo Jesus nos jogos importantíssimos que tiveram a meio da semana na Ucrânia e Alemanha, respetivamente. Respeito as suas decisões, mas não estou de acordo com eles quando vejo jogadores tão importantes como Jackson, Lima ou Maxi Pereira ficarem no banco. Isto é a Liga dos Campeões! Entendo que sejam muitos jogos, que a rotação tenha que existir, mas isso é para fazer no campeonato, onde existem jogos teoricamente mais fáceis de ganhar. Na Europa, os melhores têm de jogar sempre, nem que seja infiltrados, como foi o meu caso com a camisola do FC Porto, em 1987, em que levei sete infiltrações no pé direito para jogar a meia-final com o Dínamo Kiev. Ou o do nosso mítico Eusébio, que tinha de jogar sempre infiltrado nos últimos anos da sua carreira ou até, por exemplo, Messi e Cristiano, que raramente falham um jogo desta competição. Principalmente para as equipas como as nossas, que têm de lutar contra orçamentos muito maiores, se não estiverem os melhores craques dentro do campo torna-se impossível chegar aos oitavos-de-final. Também entendo quando dizem que a grande prioridade é ganhar o campeonato português. Mas, por favor, não deixem de sonhar e acreditar que podem chegar a uma final da Liga dos Campeões e vencê-la. Eu venci campeonatos, taças, supertaças, mas nada como o sentimento de felicidade que senti quando fui campeão europeu no FC Porto. Ganhar uma Champions League é algo único para qualquer clube, é o sonho de qualquer adepto, presidente, treinador, roupeiro e jogador. Mas, para isto, os melhores têm de estar sempre presentes, têm de jogar sempre do primeiro ao último jogo!

GRANDE CALDEIRADA

Prémios para perder

Na última jornada da época 2010/11, o Saragoça tinha de ganhar, em Valência, na casa do Levante para não descer à 2:ª Divisão. Os “manhos” acabaram por ganhar 2-1 e salvaram-se. Nesta época, acabou por descer o Deportivo da Corunha. Mais de três anos depois, as autoridades estão a investigar um alegado pagamento do Saragoça aos jogadores do Levante para estes perderem o jogo. Vão ser ouvidas mais de trinta pessoas, entre presidentes, treinadores e jogadores. Gabi Fernández, Carlos Diogo e Braulio foram os primeiros a prestar declarações. Grande caldinho no futebol espanhol!

NÓS LÁ FORA

Grande Paulinho!

Sem dúvida alguma que o Paulo Sousa foi um dos melhores trincos da história do futebol português. Fez uma carreira como profissional de futebol impressionante, jogou em clubes enormes e ganhou duas Ligas dos Campeões seguidas com equipas diferentes, a Juventus e o Borussia de Dortmund. Como treinador tem feito bons trabalhos e não há dúvidas que o Paulinho pouco a pouco conseguirá ser dos melhores técnicos do Mundo. A época passada venceu a Liga em Israel com o Maccabi e agora aceitou o desafio do Basileia. Na última quarta-feira venceu o poderoso Liverpool na segunda jornada da fase de grupos da Champions e assim entra na corrida para os oitavos-de-final. Não será fácil, pois tem ainda no seu grupo o Real Madrid, mas com o Paulinho a liderar os helvéticos tudo é possível! Força, amigo!

DO MEU ÁLBUM

Ucrânia e Rússia

Cada vez que o FC Porto joga na Rússia ou na Ucrânia, como aconteceu na última quarta-feira, recordo-me sempre daquela meia-final incrível contra o Dínamo Kiev. Era a primeira vez que o FC Porto chegava tão longe na Taça dos Campeões Europeus. Em 1987 ainda existia a União Soviética e eles eram superfavoritos para chegarem à final. Ninguém apostava um escudo em nós, e era normal, pois do onze titular deles, dez deles alinhavam na seleção soviética. Apenas lhe faltava o génio Dasayev, o melhor guarda-redes do Mundo daquele momento. Mas, contra todos os prognósticos, uma vez mais aquela equipa do FC Porto surpreendeu e, em dois jogos espetaculares, acabámos por vencer 2-1 nas duas ocasiões. A primeira mão foi no mítico e único Estádio das Antas, e no segundo fizemos história ao conseguir o nosso grande objetivo, que era estar na grande final.

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