Cristóvão
A detenção de Paulo Pereira Cristóvão é feita por razões surpreendentes. A sua passagem pelo Sporting tinha levantado dúvidas, então noticiadas, mas as suspeitas agora relatadas da Justiça são mais do que preocupantes. Se tudo (ou parte) daquilo for provado, é assustador.
O papel das claques de futebol é sabido, com todas as coisas boas e todas as coisas más. As boas estão obviamente na sua razão de existirem, o incentivo às equipas que apoiam para que consigam melhores resultados nos jogos e nas competições que disputam; as más estão nas várias formas de exagero e violência que vão sendo reportados.
Está muitas vezes nas mãos das claques a capacidade de estilhaçar um conflito ou de amainá-lo. Um exemplo dado por um benfiquista: quando no jogo na Luz a seguir à morte de Eusébio um adepto sentado na bancada do Porto decidiu interromper o minuto de silêncio, o seu assobio não durou mais que um segundo: ouviu-se distintamente em todo o estádio a voz de Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, mandá-lo calar. E assim se evitou um desrespeito institucional e por um antigo jogador maior que as rivalidades. Pinto da Costa, aliás, esteve irrepreensível na mesma ocasião.
Infelizmente, há muitos exemplos negativos, a contrastar este pequeno caso. As suspeitas de que membros de claques tenham sido recrutados para perseguições ou práticas criminosas traem o espírito e a sua missão. Quando estava no Sporting, Paulo Pereira Cristovão tornou-se um problema não só para o clube mas também para o então seu presidente, Godinho Lopes. Agora percebemos melhor porquê.
