Cuidado com este Porto
Esta semana jogou-se a 4.ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões e as equipas portuguesas estiveram em grande! O FC Porto, com a vitória em Bilbau, está mais do que de parabéns. Com os três pontos conquistados no País Basco conseguiu outro feito: quando faltam duas jornadas para finalizar a fase de grupos, os portistas já estão apurados para os oitavos-de-final. Algo incrível para uma equipa portuguesa.
Para mim, é normalíssimo que clubes como Bayern Munique, Barcelona, Real Madrid, Borussia Dortmund e PSG já estejam apurados, mas o orçamento do FC Porto está a anos-luz daquele de que estas equipas dispõem. Por isso, tem um valor incrível o que os homens de Julian Lopetegui conseguiram nestas primeiras quatro jornadas da competição de clubes mais importante do Mundo. Apesar da diferença de orçamentos, não tenho dúvidas que esta equipa do Porto, numa eliminatória a dois jogos, tem estofo e capacidade para se bater e eliminar as melhores e mais ricas da Europa.
O plantel do FC Porto dispõe de muito talento, especialmente do meio-campo para a frente. Têm vários craques que em qualquer momento podem desequilibrar e decidir uma partida. Só necessitam de afinar um pouco a organização defensiva e, se conseguirem melhorar esta faceta nos próximos três meses, podem lutar com qualquer rival. Há 27 anos, quando era jogador dos azuis e brancos, houve uma pessoa que reuniu o plantel antes do segundo jogo dos quartos-de-final da Liga dos Campeões e disse-nos que, se passássemos às meias-finais, seríamos campeões da Europa. E isso confirmou-se. Aquele Porto de 1987 sagrou-se campeão europeu contra tudo e contra todos.
Essa pessoa era o presidente Pinto da Costa. Não tenho dúvidas que, se esta equipa melhorar defensivamente antes do primeiro jogo dos oitavos-de-final, ele fará o mesmo discurso: “Acreditem em mim, se passarem aos quartos-de-final, seremos campeões da Europa”. Isto dirá Pinto da Costa em fevereiro...
O Benfica relançou-se na luta para a passagem à fase seguinte. Tinham de vencer a primeira das três finais e não falharam. Venceram em casa, por 1-0, o Monaco de Leonardo Jardim e mais uma vez Talisca brilhou. É fantástico ver um miúdo brasileiro que acaba de chegar a Portugal fazer o que ele faz. Para qualquer ser humano e muito mais para um jovem da sua idade, são necessários vários meses para adaptar-se à mudança radical que teve na sua vida, seja a nível pessoal ou profissional. Mas no dicionário de Talisca não existe a palavra adaptação. Tem um mérito tremendo o que ele conseguiu fazer nestes poucos meses. O seu talento, já demonstrado no campeonato e na quarta-feira, decidiu um jogo uma vez mais. Só que, desta vez, foi nada mais nada menos do que na Champions League. O Benfica tinha de ganhar, e uma vez mais apareceu a qualidade e o caráter de craque de Talisca. Seja em que competição for, para ele começa a ser normal tornar-se no protagonista.
Apesar de entender as declarações do meu amigo Jesus, dizendo que Talisca ainda está verde para ir à seleção principal brasileira, considero que muito brevemente veremos o jovem com a camisola canarinha vestida e, se mantiver este nível, será muito difícil que o Benfica consiga mantê-lo no seu plantel para o próximo ano. De certeza que hoje os clubes multimilionários já estão preparados para fazer uma proposta à equipa da Luz ou até mesmo dispostos a pagarem a cláusula de rescisão do jogador. Porque o Talisca é mesmo craque.
O Sporting convenceu frente ao Schalke 04. Depois da tremenda injustiça que aconteceu em Gelsenkirchen, os homens de Marco Silva “vingaram-se” dos alemães, realizando um grande jogo e, com estes três pontos, continuam a sonhar com a presença na fase seguinte. Era também uma final para os sportinguistas, especialmente depois das críticas duríssimas que receberam após a derrota em Guimarães. Mas os jogadores leoninos demonstraram que têm caráter e personalidade. Estiveram enormes no aspeto coletivo. Dá gosto ver uma equipa de jovens portugueses a lutar assim pela passagem à próxima fase.
GRANDE CALDEIRADA
Piqué outra vez
Sem dúvida alguma que esta não está a ser a época que todos os “culés” esperavam do Gerard Piqué. Depois dos problemas que teve com a guarda urbana de Barcelona, veio o penálti contra o Real Madrid. Para completar a caldeirada, na semana passada estava no banco na final da Taça da Catalunha e foi apanhado pelas câmaras de televisão a enviar mensagens pelo telemóvel. Algo surreal. Como é possível que um profissional leve o telemóvel para o banco dos suplentes? Na conferência de imprensa, a primeira pergunta que os jornalistas fizeram ao Luis Enrique foi sobre este tema. O técnico do Barcelona ficou surpreendido com a questão e disse que tinha de ver as imagens para tomar alguma decisão. Depois daquele episódio, o Barcelona já jogou três jogos importantes, dois para o campeonato e outro para a Champions League, e Piqué não atuou um único minuto.
NÓS LÁ FORA
Prestígio para Portugal
Uma semana em grande para dois treinadores portugueses. Começo pelo Pedro Caixinha, treinador do Santos Laguna, que acaba de fazer história como o primeiro português a ganhar a Taça do México. O outro é Nuno Espírito Santo. Bastaram simplesmente dez jogos para merecer a renovação que está para breve. Nestes poucos meses, conquistou dentro e fora do campo o coração de todos os valencianos e será o técnico do Valencia por vários anos. Muitos parabéns aos dois!
DO MEU ÁLBUM
A catedral
O FC Porto jogou na última terça-feira no novo Estádio San Mamés contra o Athletic Bilbao para a Champions League e recordei-me do mítico Estádio San Mamés. A catedral do futebol espanhol. Para mim foi o estádio mais bonito onde joguei. Vivi momentos únicos, inesquecíveis... E alguns seriam mesmo para esquecer, como por exemplo o meu primeiro jogo pelo Atlético Madrid. Ganhávamos (0-1) ao intervalo com um golo meu e acabámos por perder 5-1. A maior derrota de toda a minha carreira. Vários anos depois saí pela porta grande, com todo o público a aplaudir-me. Ganhámos 3-0 e fiz uma exibição do outro mundo. A catedral era única!
