Cuidado com Talisca
A larga maioria dos futebolistas são operários, apenas bons atletas. Têm o corpo apto para as funções e juntam a essa bênção a técnica bastante para ganhar um lugar ao sol.
Mas para que o sol possa brilhar, importa outra casta de jogadores. Os que não tratam a bola por tu, mas por querida. Os artistas. Os eleitos que fazem do futebol um dos mais excitantes espetáculos do mundo. O Benfica tem vários artistas a que se juntou Talisca.
No campeonato brasileiro da época passada, Talisca sobressaía no fraco Bahía por ser o mais alto e, porém, ser o dono das bolas paradas.
Talisca jogava, e joga, a velocidade moderada, mas metia a bola onde colocava o olhar.
Não marcava ninguém, deslocava-se a passo. Quando a equipa defendia, ficava quase ao lado do ponta-de-lança; quando a equipa atacava, Talisca ficava a par do trinco, descaído para um dos flancos.
Na conquista da bola, Talisca não mostrava ponta de agressividade, e ainda não tem a necessária para que o Benfica, com ele em jogo, possa aspirar a fases de pressão alta como exigem os mais duros embates internacionais, ou mesmo nacionais.
Mas Talisca tem muito talento. Tornar este virtuoso canhoto num jogador capaz de brilhar na Europa é um desafio extraordinário para Jorge Jesus.
E não são três golos a este fraquíssimo Vitória de Setúbal que fazem a primavera. Agora que está para chegar o inverno.
