Dar a vez
1 - Não vale a pena historiar o passado recente do Sporting, tanto ao nível desportivo como institucional. Os episódios sucedem-se, são do conhecimento geral e conduzem-nos a uma conclusão óbvia. O Sporting não tem direção nem equipa de futebol. E continuará a não ter equipa de futebol enquanto não tiver direção, porque só uma estrutura forte pode impor a mudança.
Com fins meramente eleitoralistas, Godinho Lopes quis congregar sensibilidades diversas e falhou, ao mesmo tempo que assistiu também ao fracasso em pleno relvado daqueles que lhe mereceram total confiança. Agora, com Vercauteren, Mourinho ou Guardiola, já não tem qualquer hipótese de minimizar os erros. Ser honesto e bem-intencionado não chega para atender às necessidades e aos anseios de um clube desta grandeza. Resta-lhe dar a vez, pois, se o Sporting conseguir a sobrevivência financeira, o sucessor tem pouca margem para fazer pior.
2 - Desilusão bem menor é a proporcionada pelo Sp. Braga. Ainda assim, José Peseiro não se livrará tão cedo do epíteto de “treinador do quase”, que ganhou forma em 2004/05, quando numa semana perdeu o campeonato para o Benfica e a final da Taça UEFA, em Alvalade, diante do CSKA Moscovo. Regressado a Portugal, conhece agora outro período negro. Quase ganhou ao Manchester United, quase pontuou em Alvalade e quase não perdeu, no último domingo, com o FC Porto. Como se ficou pelo quase, o Sp. Braga deixou as competições europeias e vai contentar-se no máximo com o 3.º lugar na Liga. Se na próxima sexta-feira teimar no quase e for eliminado pelo FC Porto da Taça de Portugal, de nada lhe valerá o futebol ofensivo e ambicioso que a equipa que dirige pratica. António Salvador exige resultados, independentemente de ter a trabalhar para ele um dos melhores treinadores portugueses da atualidade.
3 - Com a vitória dos dragões em Braga deixou de haver dúvidas quanto à bicefalia da Liga. Tudo se decidirá entre Benfica e FC Porto. Esta é, aliás, uma tendência nos principais campeonatos da Europa, apesar de as diferenças pontuais em alguns casos ainda não a revelarem. Em Inglaterra, os colossos de Manchester ditarão leis, em Itália a discussão será entre Juventus e Inter, enquanto na Alemanha o título sorrirá ao Bayern se o B. Dortmund não arrepiar caminho. Em Espanha, por seu turno, o número de candidatos é ainda menor. Só uma hecatombe evitará a consagração do Barcelona.
4 - Começa assim a complicar-se, talvez de forma definitiva e incontornável, a vida de José Mourinho no Real Madrid. Pressionado interna e externamente, principalmente por aqueles que ainda não compreenderam que o grande rival dos merengues é a melhor equipa da história do futebol, resta ao treinador português um último trunfo: oferecer o décimo título europeu aos blancos.
