Dar a volta por cima

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Dar a volta por cima
Dar a volta por cima

O FC Porto está a realizar uma má época. Não há como desmentir, e os próprios resultados indicam que esta será, possivelmente, a pior temporada da última década. Todos os clubes habituados a vencer podem sofrer, em dado momento, um tropeção. Basta ver o que se está a passar com Barcelona e Manchester United para perceber que não é fenómeno único dos dragões. Será, isso sim, uma importante lição a reter no futuro e o tempo certo para refletir, identificar problemas e encontrar novas soluções.

Da mesma forma que recebe os louros das vitórias, a SAD portista também saberá assumir as responsabilidades de uma época falhada. Quem venceu 8 campeonatos nos últimos 10 anos, onde se incluem um tetra e um tricampeonato, tem todas as capacidades de dar a volta por cima e merece a confiança dos adeptos.

No entanto, importa dissecar alguns aspetos que influenciaram este momento negativo da equipa. O principal, na minha opinião, passa pela quebra gradual de qualidade que o plantel sofreu ao longo dos últimos 3 anos. Um sintoma que já se tinha verificado nas vitórias “em cima da meta” dos 2 campeonatos anteriores e que se acentuou em 2013/14.

Obrigado a vender as suas pérolas para equilibrar as finanças, o FC Porto não conseguiu colmatar todas as saídas com atletas de igual valia. E se olharmos para a grande equipa que venceu a Liga Europa em 2011, constatamos que, apenas 3 anos depois, só Helton, Maicon, Fernando e Varela permanecem no plantel.

Por motivos financeiros, o FC Porto tem estado numa permanente necessidade de se reinventar. E o seu modelo de gestão desportiva obriga essencialmente a duas coisas: critério no recrutamento de jogadores com qualidade e potencial de valorização e uma liderança técnica competente e capaz de fazer crescer esses atletas. A verdade é que, neste momento, o FC Porto tem um plantel desequilibrado (não tem 2 jogadores de qualidade por posição) e cometeu um erro de casting na escolha do treinador para esta temporada (como já referi, Paulo Fonseca ainda não estava preparado para o desafio).

Oplaneamento da época acabou por não corresponder às expectativas, pelo que a SAD portista terá de corrigir os dossiês do plantel, necessitado de uma remodelação com mais soluções em qualidade, quantidade e atitude, e do comando técnico, enquadrado no objetivo de orientar uma equipa mais competitiva e com capacidade para formar novos ativos.

Para poder ganhar, o FC Porto tem de se apetrechar com equipas mais fortes do que as dos rivais. Não chega ter um plantel com qualidade semelhante, tem mesmo de ser melhor. Foi assim que se conseguiu impor em Portugal e na Europa, nunca se refugiando em desculpas, por mais azares e más arbitragens que possam ter acontecido. A isso respondeu sempre com golos e boas exibições.

Por fim, e numa altura em que os tubarões europeus começam a deixar de fazer compras milionárias como no passado, restando apenas os clubes financiados por xeques árabes e oligarcas russos (até quando?), o modelo de gestão financeira e desportiva do FC Porto terá, mais cedo ou mais tarde, de passar a ter a formação dentro da equação.

Em tempos, um dirigente do clube disse que “não vamos deixar de ter a melhor equipa para ter a melhor formação”. Essa afirmação até poderia fazer sentido no passado. Hoje nem tanto, e a melhor equipa também se faz com boa formação. E não deixa de ser uma ironia que o FC Porto tenha sido eliminado da Taça de Portugal com um golo de um jogador que passou pelas suas camadas jovens.

O CRAQUE

Em boa forma

O Atlético Madrid é a equipa sensação desta temporada. Com menos armas que os adversários, Simeone criou um conjunto guerreiro capaz de lutar com Real Madrid e Barcelona em Espanha e sonhar com a Liga dos Campeões na Europa. Neste grupo há um português: Tiago. Não sendo um titular absoluto, o médio tem estado em excelente plano sempre que é chamado por Simeone e é um dos protagonistas do meio-campo pressionante que o técnico argentino implementou. Aos 32 anos, Tiago está no pleno das suas capacidades. E pensar que se retirou da Seleção Nacional em 2010…

A JOGADA

Méritos do Benfica

Prestes a sagrar-se campeão português, o Benfica vencerá o título com todo o mérito. Apesar da entrada em falso, muito marcada pelo traumatizante final de época anterior, soube recompor-se e, na sua globalidade, foi a melhor equipa e a que apresentou melhor futebol ao longo da época. Além disso, muniu-se com um plantel recheado de soluções, o que permitiu fazer uma melhor gestão de todas as frentes. Com um dos maiores orçamentos da sua história, o Benfica arriscou muito em termos financeiros, mas saiu-se bem e tudo indica que conseguirá atingir os desejados resultados desportivos.

A DÚVIDA

Os jogadores naturalizados

A naturalização de jogadores continua a ser um tema polémico em Portugal (eu próprio tenho algumas reservas) e, enquanto se discute se Fernando tem ou não lugar na Seleção Nacional, há outras nações que não têm qualquer pudor em recorrer a jogadores naturalizados para reforçar as suas equipas. Se em Espanha o caso do brasileiro Diego Costa é deveras conhecido, é agora a vez de a Itália confirmar que os brasileiros Rómulo e Thiago Motta e o argentino Paletta serão opções da Squadra Azurra no Mundial. Se todos o fazem, valerá a pena dramatizar as naturalizações?

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