De Pep para Fonseca

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De Pep para Fonseca
De Pep para Fonseca

Assim que chegou ao Bayern Munique, Pep Guardiola percebeu rapidamente que não poderia colocar a sua equipa a jogar da mesma forma que o seu Barcelona. As características dos jogadores e do futebol alemão (mais físico e direto) eram outras, e acabava de chegar ao campeão europeu, com uma estrutura já montada. Para quê mudar o que já estava bem feito?

O técnico espanhol chegou mesmo a referir que os treinadores “têm de ter a capacidade de se adaptar às qualidades do plantel e não o contrário”. É esta capacidade de entender a mudança de variável que faz os grandes treinadores. O FC Porto de Mourinho que venceu a Taça UEFA não jogava da mesma forma que o seu Inter vencedor da Liga dos Campeões. É preciso perceber qual a melhor estratégia que pode potenciar as qualidades de um plantel.

Paulo Fonseca herdou no FC Porto, um clube tricampeão com uma base de jogadores que levava, ao longo de três temporadas, uma série de 90 jogos com apenas uma derrota sofrida no campeonato. Uma herança pesada para um treinador jovem que ainda não tinha bebido a cultura de um clube grande.

Apesar dos títulos conquistados nos últimos três anos, os adeptos esperavam um salto qualitativo. A relação com Vítor Pereira tinha-se desgastado precisamente por a equipa ser pragmática e não dar espetáculo. A chegada de Fonseca, que fizera um trabalho histórico em Paços de Ferreira, abriu a esperança de manter o ciclo vitorioso com um futebol mais vistoso.

Ao fim de sete meses, podemos dizer que isso ainda não aconteceu. E em meia época o clube já sofreu mais derrotas na Liga do que nos três anos anteriores. Paulo Fonseca quis implementar as suas ideias, mexendo em princípios de jogo que têm acompanhado o ADN do clube nas últimas décadas. Co Adriaanse terá sido dos poucos treinadores a ter sucesso com uma filosofia totalmente diferente (Del Neri, nem sequer chegou a iniciar a época 2004/05).

Se contabilizarmos os jogos das competições europeias e os adversários da primeira metade da tabela da Liga, constatamos que o FC Porto venceu apenas sete das 16 partidas realizadas (incluindo Supertaça e Taças), o que mostra uma grande dificuldade em bater os oponentes mais fortes. Embora se perceba que Paulo Fonseca pretenda ser fiel ao seu sistema tático, a verdade é que isso tem descaracterizado o FC Porto, com uma lentidão de processos, ataque com poucas ideias e fragilidade defensiva pouco habituais. É preciso encontrar soluções.

Os jogos na casa dos rivais Sporting e Benfica colocaram a nu quase todos os problemas que a equipa tem mostrado. Ainda há margem para fazer os ajustes necessários e, de forma competente, colocar novamente o dragão no caminho certo, a jogar de forma consistente com sede de vitórias e a postura aguerrida que sempre a notabilizou. Não se pode é tapar o sol com uma peneira e tentar desmentir o que está à vista de todos: o FC Porto tem obrigação de fazer mais e melhor.

É preciso que o treinador tenha a capacidade de olhar para o seu plantel e assente ideias nas quais os jogadores se possam rever, adquirir processos e ganhar força coletiva e espírito de vitória. A cultura de exigência dos portistas obriga a ter uma forte personalidade, raça, ambição e coragem: alma de dragão. Os interesses do clube estão acima de qualquer teimosia ou vontade. Colocando a equipa a jogar bem, algo que ainda não acontece, é que poderemos começar a acreditar na tal confiança cega na conquista do título.

O CRAQUE

Diamante no Minho

Na época anterior já tinha falado aqui de um promissor médio do Feirense que estava a deslumbrar na 2.ª Liga. Disputado por Braga e Sporting, Rafa Silva acabou por rumar ao Minho e assume-se cada vez mais como uma das grandes estrelas da equipa. É mais um diamante que o especialista Jesualdo Ferreira terá a possibilidade de lapidar e já se notam progressos. Dotado de grande capacidade técnica, este médio, que também joga nas faixas, é o elemento mais criativo do Braga. As assistências são a sua especialidade, mas também marca golos. Tem tudo para ser um dos grandes craques do futebol português no futuro.

A JOGADA

Olhar para a formação

O atual meio-campo do Sporting é composto por William Carvalho, Adrien e André Martins. A eles juntam-se Rui Patrício, Cédric e Wilson Eduardo na equipa titular. E estão a despontar jovens como Dier e Carlos Mané. Todos eles são provenientes da escola leonina. Aliando a formação a contratações cirúrgicas no mercado, o Sporting prova que é possível ser competitivo com menos dinheiro. Uma estratégia que FC Porto e Benfica tardam em seguir, apesar de não lhes faltar matéria-prima. Jovens como o portista Tozé e o benfiquista Bernardo Silva, entre outros, também têm qualidade para subir de patamar.

A DÚVIDA

A saída de Matic

Por força das necessidades financeiras e também devido a uma certa pressão feita pelo jogador para sair, o Benfica vendeu o seu melhor jogador ao Chelsea por metade do valor constante na sua cláusula de rescisão. Não foi um mau negócio, mas fica a ideia que Matic podia valer mais do que 25 milhões de euros. Resta agora saber como vai reagir a equipa de Jorge Jesus perante a saída do seu médio mais influente. Com esta saída, ficará o Benfica mais fraco ou o treinador será capaz, como noutras alturas, de reinventar uma nova solução de qualidade para a função de trinco?

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