Demasiada pressão em Alvalade
OSporting foi a grande surpresa da Liga 2013/14. Numa época em que se esperava pouco do conjunto leonino, a equipa soube manter-se competitiva e, no final, só não conseguiu superar um Benfica com outros recursos e experiência. Agora, contudo, a conversa é diferente. A participação na “Champions” vai provocar um desgaste adicional mas, ainda antes de se saber quem vai sair em sorte na principal competição europeia de clubes e de começarem jogos e viagens, os homens de Alvalade já estão debaixo de uma outra pressão. A imposta pelo presidente Bruno de Carvalho a nível interno. E isso já se faz sentir. E de que maneira, como se viu em Coimbra – no arranque da Liga – e no embate de ontem, em casa, perante o Arouca.
Faz sentido, depois de uma época em que se consegue o segundo lugar no Campeonato, pensar em atacar o primeiro. Contudo, essa conta não pode (nem deve) ser tão linear. Essencialmente porque os principais rivais – mesmo com o campeão Benfica a registar saídas de peças primordiais – continuam a investir mais, a conseguir recrutar elementos com outra “rodagem” e, pelo menos teoricamente, mais capazes de responder às exigências de uma formação que pretende ser dominadora numa Liga quase sempre “destinada” a FCPorto e Benfica.
OSporting já tinha uma equipa jovem e contratou mais gente com escassa experiência ao alto nível. E tendo apostado num treinador com uma carreira sustentada, também não deixa de ser verdade que esta é a primeira prova de fogo para Marco Silva. Jogar para ser primeiro não é a mesma coisa que brilhar sendo quarto ou quinto. Perante isto, e continuando a entender o discurso moralizador do presidente, parece claro que em Alvalade a fasquia foi colocada demasiado alto. E a chegada de Nani só contribuiu para que a pressão interna aumentasse. O extremo é um jogador de classe, mas não pode ser visto como um autêntico D. Sebastião que aterrou na Portela para desequilibrar as contas da Liga a favor dos leões. Isso até poderá acontecer, mas a verdade é que o Sporting não é, pelo menos por enquanto, o principal candidato ao título. Nani é só uma peça, assumidamente fulcral, mas não a resposta para todos os problemas. Até porque também falha. Inclusive os penáltis que “são” de Adrien...
