Dérbi chega no melhor momento

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Dérbi chega no melhor momento
Dérbi chega no melhor momento

Hoje é dia de dérbi no campeonato português. Esta noite, a partir das 20 horas, o país vai parar. Um Sporting-Benfica, ou vice-versa, é sempre um encontro muito especial para todos os jogadores. Ou melhor, para quase todos. A pressão à volta dos grandes dérbis ou clássicos é sempre enorme, mas a maneira como os profissionais lidam com ela varia. Para a grande maioria o objetivo é ser o protagonista. Nada melhor que um jogo de alta tensão que todo o mundo vê para nos afirmarmos, para conquistarmos os adeptos do clube e do futebol em geral. Mas, para outros, este momento é sempre um autêntico calvário.

No meu caso, eu adorava a pressão destas grandes partidas. Assim que o árbitro apitava para o pontapé de saída, a adrenalina subia com a tensão e a intensidade do jogo. Sem dúvida que eram os jogos perfeitos para um jogador irreverente como eu, que viveu inúmeros dérbis e clássicos. Desde Portugal a Espanha, passando por França, Itália, Inglaterra e até mesmo no Japão, onde tudo é mais tranquilo e em termos mediáticos existe pouca pressão para qualquer jogador. Mas quando vinha o dérbi entre o Yokohama Flugels (equipa que representei) contra o Yokohama Marinos, alguns dos meus colegas japoneses tremiam de medo. E não foram os únicos: em todos estes países, em cada balneário por onde passei, assisti a momentos incríveis de medo dos grandes palcos.

Mas se tenho que destacar uma destas tantas histórias, sem dúvida que é esta. Quando o Atlético  Madrid visitava o Santiago Bernabéu para defrontar o Real Madrid, o nosso balneário vivia uma situação anormal, e tudo por causa de um dos nossos colegas. Era sempre a mesma história: nos dias que antecediam esses dérbis, ele ficava indisposto e não podia jogar: tinha febre, gripe, dores de barriga ou diarreia. Começava tudo na cabeça dele. Chegava a acordar no hotel do estágio, no dia do jogo, completamente engripado. E antes tinha-se deitado bem. Sem qualquer problema. Só ficava assim antes das visitas ao Real. Em todos os outros jogos estava bem. Pronto para jogar. As complicações eram apenas provocadas por imaginar o Bernabéu cheio (com 120 mil pessoas naquela época) a gritarem contra nós. Todos os sintomas deste meu colega eram fruto da pressão. Da pressão única de jogar um dérbi destes naquele estádio.

O dérbi desta noite pode ser crucial para o campeonato. A carga emocional vai ser tremenda para todos os jogadores e pode ser normal que algum deles tenha febre, gripe, dores de barriga ou diarreia. Mas o que é certo é que este jogo, que é esperado por todos os amantes do futebol, chega no melhor momento. As duas equipas estão no seu melhor nível da época. O Sporting encontrou a estabilidade e a dinâmica ganhadora e nos últimos dez jogos para o campeonato ganhou oito e empatou dois. Já o Benfica tem sido regular durante todo o ano e, embora tenha perdido no último jogo fora de casa frente ao Paços de Ferreira, para mim praticou o melhor futebol no mês de janeiro. Este dérbi tem tudo para ser fantástico, e tudo pode acontecer!

GRANDE CALDEIRADA

Vergonha na CAN

No jogo das meias-finais da CAN entre o Gana e a Guiné Equatorial existiram graves incidentes nas bancadas, levando mesmo a que os adeptos do Gana invadissem o recinto de jogo por trás da baliza como forma de fugir aos distúrbios. Uma autêntica caldeirada. É horrível isto acontecer no futebol aos dias de hoje, ainda para mais numa meia-final de uma competição tão importante como esta. Lamentável.

NÓS LÁ FORA

Força, Beto!

O guarda-redes português, que nestas duas últimas épocas tem feito jogos fantásticos ao serviço do Sevilha, lesionou-se frente ao Real Madrid. Infelizmente, será operado a uma luxação na clavícula. Serão dois a três meses de baixa, mas que certamente o farão regressar ainda mais forte. Muita força, Beto!

DO MEU ÁLBUM

Dérbis ibéricos

É um fim de semana de dérbis na Península Ibérica. Ontem, houve um Atlético-Real e hoje há um Sporting-Benfica. Das quatro grandes equipas das capitais, tive o privilégio de jogar em três. Joguei muitos dérbis e hoje penso nos momentos maravilhosos e únicos que passei nos míticos estádios José Alvalade, Luz, Vicente Calderón e Santiago Bernabéu.

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