(Des)equilíbrios de um plantel

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(Des)equilíbrios de um plantel
(Des)equilíbrios de um plantel

Para lá de um melhor futebol praticado nos últimos dois meses, embalado por um estado anímico superior, aquilo que verdadeiramente tem distanciado o Benfica dos seus rivais Sporting e FC Porto é a vasta quantidade de soluções do seu plantel, que lhe tem permitido desbloquear alguns jogos mais difíceis e exibir-se com maior frescura física nas várias frentes em que está envolvido.

Neste momento, o Benfica é única equipa portuguesa em condições de apresentar praticamente dois onzes diferentes e manter a mesma bitola exibicional. Em quase todas as posições, Jorge Jesus dispõe de dois jogadores de igual valia, usufruindo de um equilíbrio no plantel que dá maior capacidade de resposta ao surgimento de lesões ou vendas de jogadores.

Ariqueza de soluções do plantel encarnado ajuda a explicar o facto de a equipa não se ter ressentido em dois momentos difíceis da época, como a lesão grave de Salvio no início da temporada (Gaitán, Markovic, Sulejmani e Ivan Cavaleiro garantiram profundidade nas alas) e a saída de Matic para o Chelsea em janeiro (Fejsa, Ruben Amorim e, sobretudo, Enzo Pérez, deram conta do recado).

Emesmo a ausência de Oscar Cardozo, primeiro por questões disciplinares e depois por problemas físicos, a principal referência goleadora do Benfica nos últimos anos, foi devidamente colmatada com os golos de Lima e Rodrigo, com este último a ser um dos principais protagonistas do bom momento benfiquista. E no que respeita ao lado oposto do campo, tanto Artur como Oblak têm dado segurança à baliza encarnada. Apenas os centrais Luisão e Garay não terão uma retaguarda tão forte.

Já leões e dragões têm tido maiores limitações, apostando num núcleo duro de 13-14 jogadores. No caso do Sporting, por não participar nas competições europeias e ter sido afastado precocemente das taças nacionais, os desequilíbrios do seu plantel foram menos sentidos, visto que a equipa tem tido mais tempo para preparar os jogos do campeonato.

No entanto, é notória a falta de soluções quando alguns jogadores vitais da equipa não podem alinhar. A ausência de William Carvalho no jogo com o Benfica foi ilustradora disso mesmo e o meio-campo leonino parece parco de qualidade (não há alternativas a Adrien Silva e André Martins), situação que os responsáveis do clube deverão rever na próxima temporada, em que se prevê a participação da equipa na Liga dos Campeões.

Quanto ao FC Porto, nos últimos três anos temos assistido a um relativo enfraquecimento do nível qualitativo do seu plantel. O clube sempre se distinguiu por ter um banco forte, com substitutos à altura dos titulares, capazes de manter a equipa no mesmo nível ou resolver uma partida mais complicada. Mas tal não tem acontecido este ano, limitação que contribuiu também para alguns dos resultados negativos.

Em Nápoles, os dragões alinharam com o extremo Ricardo a defesa-esquerdo, uma vez que, além de Danilo e Alex Sandro, não existem mais laterais no plantel, sendo que Mangala, solução de recurso para lado canhoto, teve de alinhar no meio, dada a escassez de centrais para aquele encontro. Uma situação pouco comum num clube como o FC Porto, que mesmo no meio-campo e ataque se apresenta hoje com menos soluções de qualidade.

Não é certo que ganha quem tem o melhor plantel. Mas é inegável que ajuda a atingir objetivos. E deste ponto de vista, o planeamento do Benfica para esta temporada serve de exemplo.

O CRAQUE

Faz falta ao futebol

O infortúnio bateu à porta de Helton e uma lesão grave vai afastá-lo dos relvados portugueses por vários meses. O futebol tem destas injustiças. Além das imensas qualidades que lhe são reconhecidas como guarda-redes, o seu profissionalismo e a sua forma de estar no futebol são um exemplo para colegas e adversários, não sendo por acaso que é um dos jogadores mais apreciados pelos adeptos de futebol em Portugal. Quando pensamos em Helton, não deixamos de lhe associar o sorriso sempre presente. O futebol é alegria e precisa muito de jogadores como ele. Que recupere depressa.

A JOGADA

A formação do Benfica

Luís Filipe Vieira está apostado em ter um Benfica mais português com jogadores formados pelo clube. Esse caminho já começou a ser trilhado com o lançamento de André Almeida, André Gomes e Ivan Cavaleiro e, a julgar pela prestação da formação encarnada no decorrer desta época, há bastante matéria-prima para rentabilizar. A equipa sub-19 lidera o campeonato nacional e qualificou-se para as meias-finais da primeira edição da Youth League, uma Liga dos Campeões de juniores organizada pela UEFA. Com as equipas de sub-17 e sub-15 das águias igualmente em bom plano, o futuro está a ser trabalhado.

A DÚVIDA

A saída de Will Coort

Proveniente do Ajax, o treinador de guarda-redes Will Coort chegou ao FC Porto em 2005/06, juntamente com Co Adriaanse, tendo um importante papel numa fase de transição na baliza portista. Foi nessa temporada que Vítor Baía cedeu a titularidade a Helton com o êxito que se conhece. Com a lesão do brasileiro, o compatriota Fabiano tem a oportunidade de se afirmar na baliza do FC Porto e Will Coort seria peça importante nesse processo. Por esse motivo, o timing da saída do holandês para o Zenit não fica imune a críticas. Não poderia juntar-se a André Villas-Boas no final da época?

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