Deuses de Madrid
De repente, Portugal chega aos dois jogos decisivos para o apuramento do Euro’2012 cheio de baixas importantes. Só no Real Madrid de Mourinho contam-se três: ao autoexcluído Ricardo Carvalho juntam-se agora Pepe e Fábio Coentrão.
O futebol é assim mesmo – diria um qualquer filósofo da redonda. E é. Há no futebol coincidências, jogos de espelhos, efeitos por simpatia, golpes de teatro, que tornam este desporto cantável como uma qualquer guerra dos idos clássicos. Neste caso o mote poderia ser assim: o grande Ricardo Carvalho perdeu injustamente o lugar na Seleção para Bruno Alves, como Pepe e Coentrão não lhe prestaram a solidariedade esperada, os deuses do olimpo madrileno logo decidiram castigá-los com oportunas lesões.
E assim a Seleção portuguesa inicia esta campanha decisiva com a defesa como enorme calcanhar de Aquiles.
Cabe agora a um sempre assertivo e positivo Paulo Bento contrariar as harpas fúnebres que ecoam desde Madrid. Mas que estas baixas (de Pepe e Coentrão, bem entendido) tiram poder à equipa portuguesa neste momento tão decisivo, disso ninguém deverá ter dúvidas. Vamos ver se também de Madrid chega a solução para estes momentos difíceis, na forma de um semideus chamado Ronaldo, que está a sprintar, driblar e jogar para a equipa como nunca. Boa sorte, Ronaldo. Os deuses do estádio não estão todos em Madrid!
P.S.: De repente Jesus tornou-se no bombo da festa benfiquista. Com a equipa a jogar maravilhas, chega Ruben Amorim e cá vai disto, que Jesus escala mal a equipa. Veio o presidente e bumba, toma lá Jesus que não devias falar do técnico do FC Porto. Embora neste caso a ironia entendida na plenitude nos decisores do dragão possa ser forte atenuante.
