Deviam pôr os olhos neles
Se pudéssemos recuar uma década no tempo, poucos acreditariam nessa altura que a equipa do Sp. Braga seria um dia capaz de se bater, olhos nos olhos, com equipas de nomeada como o Manchester United. Mas esta é, efetivamente, a atual realidade dos minhotos, que na terça-feira não se encolheram e fizeram tremer Old Trafford. Hoje, os bracarenses encontram-se, por direito próprio, entre a nata do futebol europeu.
Fruto de um traquejo competitivo que cresce de dia para dia, os guerreiros do Minho estiveram perto de fazer história no campo do Manchester United, palco complicadíssimo onde nenhuma equipa portuguesa conseguiu ganhar até hoje. Personalizado, o Sp. Braga teve uma exibição quase perfeita durante os 60 minutos em que esteve em vantagem. O excelente domínio da bola no meio campo ofensivo e a segurança defensiva foram armas importantes para neutralizar o United.
Este jogo espelhou o enorme crescimento dos bracarenses nos últimos anos. A equipa já não se assusta em andar no meio da elite europeia e tem na gestão desportiva um dos grandes alicerces da sua evolução. Numa altura em que a economia europeia se afunda, atingindo todos os sectores (futebol incluído), o Sp. Braga tem encontrado uma fórmula de êxito para se reinventar, equilibrar as contas e manter sempre uma equipa competitiva.
Ao contrário dos três grandes, na época passada o Sp. Braga registou um resultado positivo no exercício financeiro de aproximadamente 5 milhões de euros. As vendas dos passes de Sílvio e Pizzi, entre outros atletas, serviram para captar mais-valias, numa temporada em que o clube não participou na Liga dos Campeões.
E a venda de Lima ao Benfica não entrou nestas contas, pelo que o clube poderá caminhar para mais um ano de saldo positivo. A saúde financeira e a capacidade de crescimento sustentado dos minhotos merecem todos os elogios e deveriam ser um exemplo a seguir por mais clubes em Portugal, de modo a romper com a cultura despesista instalada (de gastar mais dinheiro do que têm), a exemplo do que acontece em outras franjas da sociedade.
No plano desportivo, o Sp. Braga é igualmente uma equipa diferente. Ao contrário da grande maioria dos clubes lusos, contrata preferencialmente jogadores com experiência de 1.ª Liga. Sem milhões para desbaratar em estrangeiros de valor exorbitante, a estratégia passa pela contratação, a preço acessível, de atletas no mercado interno com grande margem de progressão e ainda na aquisição de excedentes dos três grandes.
Oplantel conta com vários portugueses e não é de estranhar que o Sp. Braga seja a equipa que atualmente fornece mais jogadores à Seleção Nacional. O clube tem ainda uma excelente rede de prospeção, que lhe permite a aposta em jovens promessas com forte potencial para se tornarem bons negócios. Ismaily e Éder, contratados este ano, são exemplos disso.
O Sp. Braga tem vindo a provar que o sucesso não se alcança apenas pela via dos milhões. António Salvador mostra que é possível formar bons plantéis com menos dinheiro, capazes de lutar por títulos e manter assíduas prestações de qualidade nas competições europeias. Nos tempos de dificuldades em que vivemos, era bom que os clubes portugueses olhassem com mais atenção para o modelo financeiro e desportivo que os bracarenses têm vindo a seguir.
O CRAQUE
Talento para desenvolver
Em 2010, o Moreirense encontrou um jovem avançado nas divisões inferiores de França. Fruto da tenra idade, Nabil Ghilas foi emprestado ao Vizela, onde mostrou boa técnica, velocidade e golos. De regresso a Moreira de Cónegos, aguardou por uma oportunidade, que surgiu num jogo da Taça da Liga em Alvalade, com o Sporting. Apontou um golo e não largou mais a titularidade. Agora na 1.ª Liga, este avançado possante, que também joga nas alas, mostra dotes de finalizador com 4 tentos. Aos 22 anos, a margem de progressão deste franco-argelino é enorme e parece não faltarem interessados.
A JOGADA
Campanha com pouco sumo
Estou em crer que Luís Filipe Vieira continuará a ser o líder do Benfica. Por uma questão de estabilidade e para continuar o trabalho que desenvolveu. Porém, a campanha eleitoral fica marcada pelo quase inexistente debate de ideias entre as duas listas candidatas. Porque estamos em tempos de vacas magras, nem sequer as tradicionais promessas de jogadores apareceram para animar as coisas. Era melhor que os sócios benfiquistas tivessem tido a oportunidade de analisar propostas para o futuro do clube, em vez de assistirem a um constante “bate boca” entre candidatos.
A DÚVIDA
Os polémicos direitos televisivos
A Liga de Clubes denunciou, junto da Autoridade da Concorrência, o que entende ser uma violação das regras de concorrência no mercado dos direitos audiovisuais relativos aos jogos de futebol da 1.ª e 2.ª Ligas. Pressionado pelos clubes mais pequenos, Mário Figueiredo quer que os atuais contratos assinados, de livre vontade, pelos clubes se considerem nulos, para proceder à centralização da negociação dos direitos televisivos. Será que Benfica, FC Porto e Sporting concordam com esta pretensão? E com quem negociarão as águias já em 2013?
