Diamante Carrillo
O Sporting tem nas mãos um dos mais sólidos diamantes do futebol europeu. O que acima fica escrito não significa que Carrillo, é dele que se trata, vá mesmo explodir. Se este predestinado soubesse quanto valem os seus pés e cabeça, não sairia de casa, com medo de se lesionar. Mas os génios são mesmo assim: não sabem o valor que têm até o mundo se vergar a seus pés.
Carrillo está no momento decisivo da carreira. Uns, como Ronaldo ou Messi, explodem cedo. Outros, tolhidos pelos seus fantasmas, tardam a revelar-se. Para Carrillo, é agora ou nunca. Ou desperta para uma carreira brilhante ou andará nos relvados até aos 30 e tal anos a ganhar umas massas. Mas nunca será o que deveria ter sido.
É este o desafio que hoje une um miúdo peruano, já com um cadastro em flagrantes de discotecas, e um treinador veterano, que encontrou fôlego para topo de gama já a caminho dos 60.
Ontem, Carrillo ainda não foi constante a defender. Mas defendeu mais do que nunca. Também nem sempre interpretou bem o movimento do colega que vem de trás. Mas leu melhor do que nunca. E com a bola nos pés? Que maravilha! Carrillo torna-a ora maior, quando a lança para um colega, ora mínima, quando a passa pelos adversários com toques mágicos.
Jesus gritou e gesticulou com Carrillo a meio da 2.ª parte, depois de um remate a despropósito – que poderia dar um enorme golo. Mesmo quando for injusto, Jesus deve gritar, abanar, lapidar. Carrillo merece toda a energia do técnico.
