Dias Ferreira: agora ou nunca

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Está animada a pré-campanha eleitoral no Sporting. Mas, ao contrário do que todos previam há uns meses, não são Soares Franco e Dias da Cunha - directamente ou através de terceiros - quem protagoniza os episódios interessantes. A "contagem de espingardas" faz-se entre personagens que, recentemente, não só desejavam a recandidatura do actual líder, como defendiam as suas principais ideias, desde o "project finance" que muitos comentam (e poucos entendem...) às opções desportivas. Quer isto dizer que, deixando Paulo Cristóvão de lado (sendo certo que não vai vencer, é justo realçar que tem algumas ideias correctas, nomeadamente a necessidade do clube ter um pavilhão), a luta, por agora, ocorre entre figuras habituadas a estar no mesmo lado da barricada: José Eduardo Bettencourt e Dias Ferreira. Quem diria?

Bettencourt, como já se suspeitava, confirmou segunda-feira que estava na corrida. Parece-me um candidato interessante. É uma pessoa ponderada, sabe de futebol, tem Paulo Bento do seu lado e já mostrou - na apresentação pública - ser capaz de fazer discursos apaixonados, empolgantes, essenciais para revitalizar o sportinguismo (um das lacunas da gestão de Soares Franco, que teve o mérito de identificar o problema do crescente afastamento dos associados, mas nunca a coragem ou vontade para o solucionar a sério). Resumidamente, pode ganhar e, mais importante, pode ser melhor presidente do que os últimos ocupantes do "trono" de Alvalade.

Mas, aquilo que em condições normais seria a crónica de uma vitória antecipada - a oposição, independentemente do rosto que a encabeçasse, jamais conseguiria derrotar alguém da linha da continuidade -, pode ter um final diferente. Tudo porque Dias Ferreira, depois de ter tentado aproveitar um súbito vazio para poder concretizar o sonho de ser líder do clube, percebeu que, afinal, muitos dos que lhe batem nas costas em Alvalade não o julgam com capacidade para liderar o Sporting.

Não gostei, confesso, de ver a maneira como o conhecido advogado, várias vezes, se ofereceu para ser o rosto da continuidade. Aliás, faz-me confusão que um potencial presidente do que quer que seja não comece por mostrar convicção na forma como avança para a eleição. Quem quer ser líder, deve apresentar-se quanto antes ao eleitorado e anunciar a linha que pretende seguir. Mas, por outro lado, entendo o porquê das reservas. O seu candidato, como nunca escondeu, era Soares Franco... Contudo, depois de este garantir que não ia mesmo recandidatar-se (não esperara este desenlace, admito), Dias Ferreira vacilou muito tempo.

Com ou sem o "timing" correcto - e depois de várias indisponibilidades, avanços, recuos, vetos e coisas do género - a verdade é que, de repente, Dias Ferreira parecia ser o rosto do "sistema leonino" dos últimos tempos. Só que, como diz o povo, o que parece nem sempre é... Aqueles que lhe haviam mostrado o bolo, acabaram por oferecê-lo a outro, curiosamente a alguém que garantira não poder (ou querer) comer doces!

Dias Ferreira não gostou do "cozinhado" em que foi envolvido. Como não deve ter gostado de ouvir Bettencourt dizer que, com o seu súbito volte-face (de indisponível a mais que disponível), tinha enganado Pedro Souto (duvido que não tenha um lugar na lista, logo depois de oficializar a respectiva desistência). Parece óbvio que enganou mais alguém...

Mas, chegados a este ponto, Dias Ferreira ficou numa encruzilhada. E os dois caminhos que tem à sua disposição são claros: sai fininho de cena e perde, muito provavelmente, a hipótese de algum dia chegar à liderança do clube ou disponibiliza-se a avançar, mesmo sem o apoio da esmagadora maioria dos notáveis (designação habitual daqueles que, há anos, têm decidido quem, e como, dirige os destinos do Sporting) para um despique improvável mas potencialmente histórico.

Dias Ferreira tem um estilo algo desbocado, populista. Gosta de discussões acaloradas e nem sempre consegue distinguir a razão da paixão mas, desta vez, isso pode ser um trunfo tremendo. O seu forte apoio nas bases, junto dos associados anónimos, prova que, se calhar, é de um homem assim que o clube necessita para rejuvenescer. Ao contrário do que muitos pensam, a militância ganha-se na rua, no contacto com as pessoas e não nos gabinetes a engendrar milagrosas soluções financeiras, umas atrás das outras, procurando alguma que funcione. A favor do clube e não dos bancos...

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