Dinheiro a rodos
Não é a primeira vez que Mário Figueiredo faz a ameaça: a Liga de Clubes admitiu ontem, em audiência no Parlamento, apresentar queixa em Bruxelas contra o controlo conjunto da Sport TV pela Portugal Telecom e Zon. Mais que uma ameaça, é uma negociação. A Liga quer que os clubes mais pequenos recebam mais dinheiro pelas transmissões televisivas, em detrimento do “monopólio” dos grandes clubes.
O “controlo conjunto” pela PT e pela Zon da Sport TV foi reforçado por causa da situação difícil das empresas de Joaquim Oliveira, que estão demasiado endividadas. O patrão da Olivedesportos teve de ceder domínio da Sport TV. E isto reforçou o poder de quem distribui os canais de desporto (Meo e Zon). Apesar da perda de clientes dos últimos anos, por causa da crise, a Sport TV continua a ser agregadora de audiência. E de negócio.
Segundo um estudo da Deloitte apresentado esta semana, quase metade das receitas movimentadas nas cinco maiores ligas da Europa provêm de transmissões televisivas. Os clubes das Bundesliga, La Liga, Ligue 1, Premier League e Serie A recebem 4,3 mil milhões de euros pelas transmissões dos jogos (de um total de receitas de 9,3 mil milhões), números impressionantes e que mostram a dimensão deste negócio. É, além disso, um negócio cada vez mais profissional, cujas receitas europeias estão a crescer, apesar da crise: mais 11% no ano passado.
Em Portugal a situação financeira dos clubes é frágil. As dívidas são monumentais e, tirando os clubes que conseguem fazer encaixes no negócio da compra e venda de jogadores, as perspetivas são negras. É por isso que a Liga, cujo presidente abriu guerra à Olivedesportos e tem assumido a defesa dos pequenos clubes, quer mais que audiências no Parlamento. Quer audiências na televisão. E ser pago por elas.
