Direitos e deveres de Ashkan Dejagah

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Desconhecia que a formação germânica do Wolfsburgo (onde actuam os portugueses Alex e Ricardo Costa...) tinha nas suas fileiras um tal de Ashkan Dejagah. Duvido, aliás, que em Portugal muitos soubessem da sua existência até terem conhecimento do episódio que recentemente protagonizou ao anunciar, sem rodeios, que não estava disponível para representar a selecção Sub-21 da Alemanha no embate com a congenére de Israel referente à fase de qualificação do próximo Europeu da categoria.

O pedido de dispensa do médio tem uma razão muito simples. O rapaz nasceu no Irão (embora possua dupla nacionalidade em virtude de ter crescido em Berlim), é filho de iranianos e tem, inclusive, um irmão que joga em Teerão. Logo, pedirem-lhe para defrontar Israel é... política, religiosa e moralmente complicado.

A Federação Alemã convoca quem quer. E tem também a opção de, perante uma nega, "esquecer-se" de voltar a chamar determinado jogador. Mas, por outro lado, o rapaz deve ter também o direito de considerar esta situação extremamente grave e solicitar dispensa.

Se é normal ver atletas a faltar a treinos e jogos devido ao nascimento de filhos ou à doença de familiares, não será legítimo compreender que um muçulmano peça, devido às suas crenças, a ausência de um embate com Israel? Aceito que a questão é melindrosa e que o desporto, regra geral, não deve servir de pretexto para questões laterais, mas entendo o dilema de Dejagah que, se não fosse honesto, podia ter inventado uma lesão qualquer e escapava a todo este falatório. Mais: tendo dupla nacionalidade, até podia continuar a jogar como alemão (e comunitário) na Europa e representar o Irão.

No meio de toda esta embrulhada, gostava de salientar a intervenção célere do Ministro do Interior alemão que, escandalizado, sublinhou "que todos os atletas convocados devem desejar jogar em qualquer país com a qual a Federação alemã tenha boas relações". Quererá isto dizer que, no futuro, se a Alemanha tiver de jogar com uma nação com quem não tenha boas relações... o país poderá obtar pelo boicote à partida? Nesse caso, não teríamos também uma decisão baseada em factores políticos ou religiosos? Tudo isto é dúbio e incoerente, pois não devemos esquecer que na Alemanha, décadas depois da II Guerra Mundial, ainda é fácil assistir a manifestações dos ideais nazis, algumas das quais suportados através de votos nas urnas. Será que só a posição de Dejagah é que merece atenção e reflexão? Penso que não!

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