Diz o roto ao nu...
Sá Pinto tardou, mas sempre veio a público relatar a sua versão dos acontecimentos aquando do Sporting-Mafra referente à Taça de Portugal, o tal jogo que ameaçava entrar na história do futebol português por causa dos 3 golos apontados por um desconhecido chinês, mas que acabou por ficar célebre pelas razões erradas. E como não poderia deixar de ser, para o antigo director do futebol profissional leonino, Liedson foi o culpado de tudo.
Não tenho dúvidas que, para protagonizar um episódio tão lamentável, pelo menos são precisos dois intervenientes. E se Liedson foi um deles, continuo a considerar que Sá Pinto também tem culpas no cartório. Muitas! Mais que não seja por ocupar um cargo relevante na estrutura - embora nunca tenha percebido como é que o director do futebol dizia que não tinha nada a ver com a contratação de jogadores ou técnicos - e por, em virtude disso mesmo, ter de funcionar como alguém que contribui para resolver problemas e não para os potenciar.
Num discurso cuidadosamente preparado - e onde se nota facilmente que não foi só idealizado pelo próprio -, Sá Pinto volta a jurar amor eterno ao clube, pede aos adeptos para estarem com a equipa e até solicita apoio para o avançado luso-brasileiro. Tudo muito bem. O estranho é que, no meio de tanta conversa louvável, aproveite para despejar em cima de Liedson um ror de críticas, dizendo, com todas as letras, que o futebolista não respeita nada nem ninguém, dos dirigentes à equipa, passando pelos sócios.
Acredito, com toda a sinceridade, que o dianteiro mereça, de facto, um valente "puxão de orelhas". No entanto, não posso deixar de sorrir quando vejo Sá Pinto afirmar que Liedson "deve rever e rectificar a sua postura enquanto jogador profissional". Pode existir muita gente no futebol com legitimidade para dizer isto ao goleador sportinguista. No entanto, Sá Pinto não é um deles. Quem deixa a emoção levar a melhor sobre a razão - belo eufemismo para abordar os seus públicos episódios de violência - não deve tentar dar lições de moral a quem quer que seja. Mesmo que em causa esteja alguém que necessite das mesmas...
PS - Concordo com a leitura que Sá Pinto faz em relação à forma célere como os acontecimentos saltaram cá para fora. É, de facto, muito estranha a velocidade do processo. Só fiquei sem perceber se, no seu entender, o objectivo de quem abriu a boca era "fazer a cama" a Liedson, ao próprio Sá Pinto ou a ambos!
