Domingo negro
Em primeiro lugar, quero dar os parabéns ao Benfica e a todos os benfiquistas pela conquista do 34.º título.
Domingo passado, em Guimarães, as condições estavam reunidas para ser um dia de festa e de sonho para todos os adeptos encarnados. Mas, infelizmente, acabou por se tornar um pesadelo para todos os portugueses. Hoje, quando penso no momento em que a Polícia de Intervenção chegou ao Marquês de Pombal, em Lisboa, mantenho a preocupação daquela noite. Sinto tudo da mesma forma... Podia, realmente, ter acontecido uma desgraça, devido à multidão que se aglomerava naquele local e às dezenas e dezenas de crianças presentes.
Quando estão reunidas milhares de pessoas no mesmo espaço físico pode acontecer o pior ao mínimo problema, devido ao pânico que quase invariavelmente se instala. E muitas vezes deparamo-nos com uma tragédia...
Enquanto assistia em direto àquelas imagens horríveis, pensava que era impossível que algo assim pudesse estar a suceder no meu país. Sempre disse que nós somos um povo pacífico e tranquilo e nem nos meus piores pesadelos poderia imaginar o que, naquele momento, estava a presenciar. Aquela batalha campal acontecia no centro de Lisboa e não na Argentina ou Grécia, onde, por exemplo, os adeptos são superviolentos.
Estive sempre convencido que apenas nestes países seria possível tal tipo de confrontos com a polícia. Pensei também nos momentos horríveis que aconteceram nos últimos anos e que acabaram por ditar inúmeras mortes, como no Egito, em fevereiro de 2012. Nesses incidentes, os adeptos do Al-Ahly (treinado na altura pelo português Manuel José) foram atacados por simpatizantes do clube adversário (Al-Masry). Setenta e nove mortos e mais de mil feridos foi o resultado daquele dia negro, em mais uma situação extrafutebol que terminou da pior maneira.
Já em julho de 2010, 21 jovens morreram num festival de música eletrónica em Duisburgo, na Alemanha, um país conhecido pela boa organização de eventos. No mesmo ano, no Camboja, 353 pessoas perderam a vida por ocasião do festival das águas de Phnom Penh... Estes são alguns exemplos de que no meio de uma multidão a tragédia pode acontecer quando menos se espera.
Em Portugal, nunca tinha sucedido nada assim. O campeonato existe há muitos anos e o Benfica, Sporting e FC Porto (que normalmente são os que ganham) sempre festejaram os títulos na rua, sempre houve multidões. Não é uma questão de serem adeptos do clube A, B ou C, porque todos já celebraram títulos sem problemas deste género mas, desta feita, foi a primeira vez que algo tão grave aconteceu no nosso país e tem, obrigatoriamente, de ser a última.
Felizmente a batalha do Marquês de Pombal não acabou em tragédia. Ainda assim, não ganhámos para o susto. Os responsáveis por toda aquela vergonha têm agora de pagar de qualquer maneira pelo mal que fizeram pelas ruas da capital. E sinto-me também revoltado com o polícia que agrediu de maneira brutal aquela família em Guimarães. Sem dúvida que também tem de ser castigado. Foi um domingo negro para os adeptos, polícias e para o futebol português. Enfim, um dia negro para Portugal.
Grande caldeirada
Carlo Ancelotti
Pelo meu passado colchonero, não nutro especial simpatia pelo Real Madrid, mas isto não impede que admire muitos profissionais deste clube, como é o caso dos jogadores portugueses e também do seu técnico, Carlo Ancelotti, um homem que, nos clubes por onde passou, ganhou tudo o que havia para ganhar, tanto como jogador como no papel de treinador. É um autêntico campeão e um grande craque como pessoa. O italiano é o verdadeiro exemplo de humildade e respeito. Depois de ganhar a Champions League, o ano passado, e ser campeão do Mundo, há uns meses, não merecia as críticas horríveis e injustas destes últimos dias. Incompreensível!
Nós lá fora
Treinadores portugueses
Nesta temporada de 2014/2015, já são cinco os treinadores portugueses campeões nas ligas onde participaram. Jorge Jesus pelo Benfica, José Mourinho pelo Chelsea, Vítor Pereira pelo Olympiacos, André Villas-Boas pelo Zenit e Paulo Sousa no Basileia. Já Jesualdo segue em primeiro lugar no Egito, com o seu Zamalek, e poderá ser o sexto português a vencer esta época. A juntar a isto é bom não esquecer que também Jaime Pacheco fez parte da caminhada do Zamalek nesta temporada, deixando a equipa na liderança. Podem ser sete os treinadores portugueses campeões! Sem dúvida alguma que formamos os melhores treinadores do Mundo. Parabéns a todos!
Do meu álbum
Alívio ou tristeza
Ontem foi a última jornada do campeonato em Portugal e também na maioria das ligas europeias. Recordo-me que, durante toda a minha carreira, este final significava ou um alívio ou uma tristeza enorme. Um alívio quando estava há muitas semanas fora da luta pelo título. Era um sofrimento total e só desejava que o fim chegasse o quanto antes. Por outro lado, quando ganhas um título, tudo é uma maravilha. Mas, nos dias seguintes, a tristeza invade-nos um pouco... Queríamos, afinal, que aquele momento após uma conquista durasse para sempre!
