Domingos arrisca-se

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Domingos arrisca-se
Domingos arrisca-se

Acabando a primeira volta do campeonato com o mesmo número de pontos que Paulo Sérgio havia amealhado no período homólogo da época passada, mas em ambiente de menor investimento, conseguirá Domingos Paciência resistir a uma onda continuada de maus resultados e à chicotada psicológica?

A“sentença” tem data marcada: 8 de Fevereiro, no Funchal, quando o Sporting ditar ou não a sua presença na final da Taça de Portugal, perante a difícil equipa do Nacional que conseguiu cometer a proeza de empatar em Alvalade (2-2) no jogo correspondente à primeira mão das meias-finais da prova. Até lá, o Sporting realiza quatro jogos, três dos quais em Alvalade, com equipas teoricamente acessíveis, como é o caso da partida desta noite com o Moreirense. São os mais perigosos. Qualquer desaire nestas quatro partidas (Moreirense, Olhanense, Beira-Mar e Gil Vicente) constituirá forte abalo nas credenciais de Domingos Paciência, que nos últimos tempos cometeu alguns erros comprometedores.

O treinador do Sporting reagiu ontem, em conferência de imprensa, às críticas que se abateram à sua equipa depois do desaire de Braga, e não poupou nem “os médicos, fadistas e carpinteiros” que “falam mal do Sporting” nem sequer o presidente Godinho Lopes escapou: “O Sporting não... está aquém das expectativas!”

Domingos Paciência não gostou da mensagem presidencial e acabou por lançar recados em muitas direcções: aparentemente para fora e, também, para dentro, acentuando as diferenças claras que se estabelecem entre aqueles que se posicionam à “porta da cabina” e aqueles que vivem, diariamente, os problemas da equipa de futebol. O Sporting, nesta matéria, é um clube singular: não há mais nenhum no Mundo em que o presidente da assembleia geral seja mais do que uma mera figura institucional, de silenciosa e educada representação. Só no Sporting o presidente da assembleia geral se acha com competência para colocar em causa, publicamente, o papel de Luís Duque, administrador da SAD, jogado como “trunfo eleitoral” de Godinho Lopes e responsável pela contratação de Domingos Paciência. A sensação que se colhe é que a SAD se acha em brios para poder mitigar o conjunto de handicaps forjados no passado (a auditoria sai ou não sai?) e o clube trabalha para amplificar a ideia de que o leão está de volta. São duas realidades, dois ângulos de observação, duas velocidades, dois “mundos”. O clube quer resultados em seis meses; a SAD e a equipa técnica falam outro tipo de linguagem, condicionada porventura por aquilo que é a percepção diária dos problemas da equipa.

O Sporting precisa de se reencontrar, mas duvido que seja possível com o presidente a dizer uma coisa e o treinador a desmenti-lo. Nem creio que seja possível avançar enquanto outras figuras (directivas) acharem que as suas opiniões são mais importantes do que a estabilidade do futebol. Eu diria que uma equipa de futebol não se constrói em seis meses e muito menos se destrói em meio ano uma cultura de leonina autofagia. O Sporting já conheceu dois períodos de euforia e está a atravessar o segundo período de depressão. Fez avanços mas o “centro da liderança” continua disperso e é difuso. O que fará agora Godinho Lopes?

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