Dragão bem rodado

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Dragão bem rodado
Dragão bem rodado

A rotatividade do plantel do FC Porto tem dado que falar. Mas em vez dos elogios à gestão exemplar que Lopetegui tem feito, temos assistido a críticas fortuitas. Uma total incoerência, depois de um ano em que a falta de opções no plantel foi a principal razão apontada para o fracasso dos dragões. Com a máquina ainda em afinações, o FC Porto chega ao clássico de hoje com o trabalho bem feito. Como diz o ditado, “não se pode ser preso por ter cão e preso por não ter”. A rotatividade não pode ser apenas vista pelo prisma das vitórias. Com tantas e boas soluções, Lopetegui está dar oportunidades a um número mais alargado de jogadores, promovendo a competição interna, fazendo com que a luta pela titularidade e a motivação dos atletas estejam sempre no máximo, sem lugar para conformismos. Além disso, minimiza o desgaste de alguns jogadores nucleares. Não se pode, ao menor deslize, afirmar que a equipa não tem rotinas ou uma base. Isso é algo que se conquista com o tempo.

Como todos os treinadores estrangeiros que trazem novas metodologias ao nosso futebol, Lopetegui está a ser um alvo apetecível para alguns, ainda mais sendo técnico do FC Porto. Há que, pelo menos, lhe dar tempo para mostrar trabalho e, aí sim, fazer os devidos julgamentos. Até ao momento, assistimos a críticas precipitadas, como aquelas iniciais que diziam que Quaresma e Adrián López estavam riscados das opções. Tenho a certeza que qualquer treinador no Mundo prefere ter 20 titulares do que apenas 12 ou 13. Veja-se o caso do espanhol Marcano. Foi um dos melhores portistas no jogo contra o Boavista e, face ao impedimento de Maicon, chega ao jogo de hoje em Alvalade com maior confiança e rodagem para encarar o clássico. Lopetegui está a ganhar opções para o futuro num plantel competitivo que tem dois jogadores por posição. Onde está o problema nisso? E quanto a resultados, as contas fazem-se no fim.

Ao contrário da época passada, em que a equipa não transmitia confiança, sobretudo pelo pouco futebol que exibia, este ano já se nota um FC Porto com mais profundidade, dinâmica e magia. É natural que, num plantel com tantos jogadores novos, as coisas nem sempre corram bem no início. Uma grande equipa não se faz apenas com um estalar de dedos. É preciso tempo para que a equipa possa adquirir a coesão e os automatismos necessários.

Pela amostra dos primeiros jogos, o FC Porto de Lopetegui tem grande margem para crescer e ter um rendimento superior nos próximos meses. Não falta qualidade para dar resposta a uma temporada que será longa e com muitos desafios exigentes. E segue-se agora o Sporting, num estádio onde o FC Porto tem sentido dificuldades, o que por si só serve de motivação para tentar inverter a história recente. Será um clássico com a pressão de ganhar a cair em cima das duas equipas. Entre candidatos ao título, os confrontos diretos são sempre uma oportunidade para ganhar vantagem perante um rival, mas estão longe de ser decisivos, e muito menos à 6.ª jornada. Para ambas as equipas, a vitória nesta partida poderá é ajudar a aumentar os índices de confiança.

Muita curiosidade em ver se o Sporting de Marco Silva vai tentar controlar as operações perante um FC Porto que gosta de ter bola, ou se vai preferir jogar na expectativa, tentando surpreender os dragões com contra-ataques mortíferos. Em ambos os casos, e face ao crescendo de forma dos dois conjuntos, tudo indica que teremos um jogo muito emotivo e, quem sabe, com mais golos do que nos jogos recentes entre leões e dragões.

O CRAQUE

Segurança na baliza

Em Arouca mora um guarda-redes que surpreendentemente, até há bem pouco tempo, era titular dos italianos da Roma. Mauro Goicoechea tem sido um dos principais destaques neste arranque positivo de temporada da equipa de Pedro Emanuel. O guardião uruguaio, já com experiência ao mais alto nível, tem estado em evidência nos arouquenses e foi mesmo a grande figura na vitória da equipa em Vila do Conde contra o europeu Rio Ave. Com 26 anos e potencial para evoluir, as boas exibições de Goicoechea fazem dele um jogador para continuar a acompanhar.

A JOGADA

Uma escolha acertada

Uma opção consensual, por um profissional que se distingue pela competência, seriedade e qualidade do seu trabalho. Fernando Santos é uma boa escolha para o cargo de selecionador e tem capacidades para levar Portugal ao Euro’2016. Face à experiência acumulada na carreira, ao serviço de grandes clubes e à frente da seleção grega, Fernando Santos sabe o desafio que terá pela frente. É disciplinador, tem um conceito de jogo ofensivo e fará uso do seu conhecimento para levar a Seleção Nacional a bom porto. Basta que lhe proporcionem as melhores condições para trabalhar. Desejo-lhe a melhor das sortes.

A DÚVIDA

Promover a formação

É uma discussão que começa a alastrar-se a todas as principais ligas europeias: a falta de jogadores nacionais nos principais clubes. Não surpreende por isso que a federação inglesa esteja a tentar encontrar uma forma de resolver este problema que acaba por afetar as seleções. Uma das soluções pode passar pela obrigação de uma quota mínima de quatro jogadores formados no país no onze-titular dos clubes (tendo um deles de ser formado no clube). Uma ideia que parece fazer sentido se a legislação europeia não for violada. Seria esta uma medida benéfica para o futebol português?

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