Duas partidas com França no horizonte
É apenas um amigável, mas perante um adversário com o poderio da França, o prestígio e a motivação estão sempre em jogo, na partida que Portugal realiza hoje frente aos gauleses. Amigos, amigos, vitórias à parte. Ganhar é um critério ao qual se pretende também dar continuidade no embate da próxima segunda-feira, esse sim a doer, com a Albânia. Por coincidência, uma vitória naquele país será um passo firme para garantir a presença no Euro'2016, que decorrerá precisamente em território francês.
Por tudo aquilo que tem sido o nosso histórico de confrontos com a França, a quem nunca vencemos um jogo oficial, perdendo os duelos que ocorreram nos Europeus de 1984 e 2000 e ainda no Mundial'2006, sempre em jogos muito disputados e recheados de polémica, este também é um jogo especial. Mesmo em partidas amigáveis o saldo não é o mais simpático: 5 vitórias, 1 empate e 14 derrotas, o que é exemplificativo das dificuldades que a Seleção irá encontrar pela frente.
Maior incentivo não há, portanto, para tentar inverter o curso da história e acrescentar uma conquista para o lado luso. Além disso, é neste tipo de jogos, contra grandes equipas, que os jogadores tendem a superar-se, pelo que se prevê uma equipa portuguesa aguerrida com vontade de mostrar o que vale e carimbar uma vitória sobre um adversário que sempre foi dos mais complicados. Fernando Santos bateu recentemente a Itália, outro muro historicamente difícil de passar, pelo que pode agora repetir a façanha com a França.
Face às ausências de Tiago, João Moutinho e William Carvalho, o selecionador será forçado a refazer todo o seu meio-campo, pelo que o momento é perfeito para encontrar novas alternativas. Jogadores como Danilo Pereira (que está a pegar de estaca no Dragão), Adrien e João Mário (titulares indiscutíveis do Sporting de Jorge Jesus) e Bernardo Silva (uma pérola que Leonardo Jardim conseguiu lapidar) podem ter aqui uma excelente oportunidade para se conseguirem afirmar na equipa nacional.
Além disso, será um bom teste para Fernando Santos poder averiguar qual as melhores opções para o jogo da Albânia, um adversário exigente que promete criar imensas dificuldades, a exemplo do que fez na última visita ao nosso país, onde surpreendeu os portugueses com uma vitória. A Seleção está, por isso, avisada quanto ao potencial desta equipa liderada por um técnico italiano (sempre muito organizados no aspeto tático e defensivo) e vários jogadores com experiência nas principais divisões de ligas competitivas como Itália, Alemanha, França, Grécia e Suíça. Apesar dos nomes desconhecidos, já não estamos a falar de jogadores de segunda linha.
Por outro lado, o próprio futebol albanês está a subir de patamar. As suas equipas começam a chegar mais longe nas competições europeias e não é por acaso que o Skenderbeu, pentacampeão do país, quase conseguiu garantir a entrada na Liga dos Campeões, acabando por assegurar a presença na fase de grupos da Liga Europa, onde será um dos adversários do Sporting.
É um oponente de máximo respeito, que exigirá muita concentração, mas a quem Portugal tem obrigação de ganhar, porque tem melhores jogadores e uma equipa mais experiente e superior nestas andanças. É este pequeno passo que temos de dar para estar mais perto de chegar a França no próximo ano.
O CRAQUE
A importância de Adrien
Com a ausência por lesão de William Carvalho, Adrien Silva assumiu o lugar deste no Sporting e poderá agora ganhar mais espaço nos eleitos de Fernando Santos. Médio de grande entrega e espírito coletivo, o jogador leonino está num bom momento e é também um exemplo de profissionalismo e liderança. Falou-se muito na sua eventual saída do Sporting neste defeso, mas acabou por ficar e será certamente um dos elementos chave na estratégia de Jorge Jesus. Agora pode ter chegado a sua chance na equipa de todos nós.
A JOGADA
Muita qualidade nos sub-21
Depois do brilharete no último Europeu, em que Portugal foi melhor e só por manifesto azar acabou derrotado na final, conseguindo ainda o apuramento para os Jogos Olímpicos, os nossos sub-21 partem para a fase de qualificação do Euro'2017 e a matéria-prima continua a ser de alto quilate. Alguns são repetentes, como Tobias Figueiredo, Carlos Mané, Rúben Neves ou Gonçalo Paciência, que se juntam a mais uma fornada de talentos como André Moreira, Rony Lopes ou André Silva. Rui Jorge tem motivos para estar otimista.
A DÚVIDA
O destino de Pedro Tiba
O futebol é uma caixinha de surpresas. Para o bem e para o mal. Pedro Tiba chegou a fazer parte dos eleitos de Paulo Bento para a Seleção Nacional e rapidamente se tornou um jogador nuclear em Braga, durante o reinado de Sérgio Conceição, onde realizou 36 jogos e apontou 5 golos. Era um dos jogadores portugueses com qualidade acima da média no nosso campeonato e vê-se agora relegado para um empréstimo a uma equipa da segunda divisão espanhola por não encaixar nos planos de Paulo Fonseca. Não seria possível uma saída mais digna do seu valor?
