Duelo de titãs
O jogo do ano está a chegar. Com Benfica e FC Porto mais próximos na classificação do que se previa, a Luz vai receber um dos pontos altos do campeonato. Ambas as equipas visam a liderança isolada da Liga, pelo que só a vitória interessa e há que jogar com os melhores trunfos.
Neste momento, águias e dragões apresentam grande equilíbrio na sua correlação de forças. Independentemente da maior ou menor nota artística, da eficácia ou da segurança exibicional, os dois conjuntos, com virtudes e defeitos distintos, estão ao mesmo nível e é difícil prognosticar um vencedor.
Se o Benfica apresenta um ataque mais concretizador e cheio de soluções, também denota algumas debilidades defensivas. Por seu lado, o FC Porto, apesar das várias mexidas no sector, tem na defesa o seu ponto mais forte, enquanto que o ataque, órfão de Falcão, tem sido menos eficaz.
A partida promete emoção, mas a qualidade do espetáculo estará dependente das táticas que os treinadores vierem a adotar. Mas nada disso impedirá os vários duelos de titãs dentro de campo, a começar nas balizas, onde Artur e Helton, em grande forma, tudo farão para manter as redes invioláveis. Experientes e tranquilos, sabem que é neste tipo de jogos que podem valer pontos.
Outro duelo interessante vai opor os dois Pereira, os uruguaios Maxi e Alvaro. Pelas laterais direita e esquerda das respetivas equipas, são dos principais municiadores ofensivos, pelo que o seu frente-a-frente, na mesma zona do campo, a atacar e a defender, será explosivo.
E o que dizer dos trincos Javi García e Fernando, porventura os jogadores mais difíceis de substituir nos onzes dos rivais? O espanhol e o brasileiro são jogadores essenciais na manobra das suas equipas. Fortes na marcação, imperam no centro do terreno a recuperar bolas e a construir jogo. Em Portugal não há melhor do que eles.
Um é alto e o outro é baixo, mas ambos com imensa qualidade. Witsel e João Moutinho também se vão cruzar muitas vezes no terreno, fazendo a ligação entre a defesa e o ataque. Inteligentes a ler a movimentação dos colegas e exímios na capacidade de passe, também colocam frequentemente à prova o seu poder de finalização. A chave do jogo pode passar por um destes jogadores.
A magia das pampas também estará na Luz. Se Aimar é sinónimo de criatividade e técnica, maestro que marca e dá a marcar, já o portista Lucho González desempenha a mesma função com uma notável simplicidade de processos e movimentação em campo. O clássico não teria o mesmo brilho sem eles.
E para marcar golos? Para os adeptos do Benfica, as esperanças estão depositadas em Cardozo, sempre mortífero apesar das críticas, e em Rodrigo, avançado rápido e eficaz que rapidamente se está a tornar na nova coqueluche das águias. Quanto aos dragões, com a estrela Hulk de volta às alas, aumenta a sua capacidade de fazer estragos, enquanto Janko, que ainda vai tirando as medidas ao futebol português, mostra que tem boa relação com os golos.
O Benfica-FC Porto vai ser um jogo quente, mas não é decisivo. No entanto, se alguém vencer, não haverá melhor injeção de confiança para o que resta da Liga do que uma vitória sobre o rival. E convém não esquecer que há um outsider, o Sp. Braga, que pode ter uma palavra a dizer nas contas do título.
