Duplas improváveis
Em ponto de rebuçado. Assim se pode definir o atual momento de forma da equipa do FC Porto, a atravessar a sua melhor fase e a confirmar o potencial que todos previam que o seu plantel poderia ter. Uma equipa dominadora e rápida, que gosta de ter a bola, pressiona alto e gere cada vez melhor os momentos do jogo. Há um mérito inegável de Lopetegui neste processo de crescimento.
Uma das maiores surpresas da equipa azul e branca acaba por ser a afirmação da dupla de centrais Maicon e Marcano. Quando todos pensavam que a dúvida estava em saber qual o parceiro ideal de Indi no centro da defesa, eis que "um duo M&M" surge em força e mostra estabilidade e segurança. Nos últimos 8 jogos, o FC Porto sofreu apenas 1 golo (em Basileia), e tal muito se deveu ao equilíbrio que esta dupla veio trazer ao processo defensivo, a par do crescimento que Casemiro está a exibir.
Pode parecer estranho perante o domínio que os portistas têm exibido face aos seus adversários. Mas esta equipa evidencia-se de forma exemplar na forma como defende. Sempre que perde a bola, o tempo de reação é imediato e a tentativa de recuperar o esférico surge rapidamente com um bloco pressionante muito alto. É um FC Porto que não deixa o adversário respirar.
Por seu lado, o Benfica, que também revela bom comportamento defensivo em comparação com outros anos, está a mostrar uma enorme veia goleadora. Nos últimos 7 jogos, a equipa apontou 22 golos, o que confere uma média superior a 3 tentos por partida. Este acerto nas balizas em muito se deve à dupla Lima e Jonas, que, com 5 e 6 golos, respetivamente, apontaram 50% dos golos encarnados neste período.
Com a afirmação imediata de Talisca no início da temporada, dificilmente se poderia imaginar que Lima e Jonas tivessem muitas oportunidades para jogar juntos. No entanto, o recuo no terreno de Talisca e a constante produção dos experientes avançados brasileiros acabou por determinar esta "sociedade dos golos". Jonas já apontou 19 tentos em 24 partidas, um registo ao nível dos grandes matadores, ainda mais numa época de estreia em que arrancou como suplente. Já Lima, depois de um início menos produtivo, encontrou o caminho das balizas e já é o segundo melhor marcador da Liga, podendo aproximar-se do topo, uma vez que Jackson está lesionado.
As vitórias recentes dos dois concorrentes ao título português acabam assim por ter nestas pequenas sociedades histórias de sucesso pela complementaridade dos jogadores e pela boa resposta que estão a dar dentro de campo.
Eporque falamos de duplas, não deixa de ser surpreendente a escolha do Estoril para a sucessão de José Couceiro no comando técnico do Estoril. Hugo Leal e Fabiano Soares são os novos técnicos canarinhos e fica a curiosidade de saber qual será a prestação da equipa através desta fórmula pouco habitual no futebol português, mas que deu bons resultados, por exemplo, no Lanús da Argentina, com os irmãos Gustavo e Guillermo Schelotto (onde ainda se mantêm), ou na seleção da Suécia com Lars Lagerback e Tommy Söderberg entre 2000 e 2004.
Nota: Na final da Liga Europa de 2011, entre FC Porto e Braga, alinharam 7 portugueses (3 portistas e 4 bracarenses) nos onzes iniciais. O presidente da UEFA foi lesto em criticar a falta de jogadores nacionais em ambos os lados. Agora que viu o PSG bater o Chelsea na Champions com apenas um jogador francês, diz que é "uma equipa programada para vencer a competição" e que jogos destes "geram diversão". São assim as opiniões de Michel Platini, para o lado em que está virado…
O craque – Finalmente Tello
Ainda no início da época referi que Cristian Tello poderia ser um dos jogadores mais determinantes deste campeonato. Para isso necessitava de melhorar três dimensões do seu futebol: ser mais intenso ao longo dos 90 minutos de jogo, dar mais apoio aos colegas e definir melhor os lances em zona de remate. A evolução é notória e o espanhol tem sido decisivo nos últimos jogos e um quebra-cabeças para os adversários por força da sua velocidade e capacidade de execução. É um talento que ainda pode render mais.
A jogada – Académica mudou o chip
Paulo Sérgio nunca conseguiu contrariar a “alergia” que a sua Académica tinha às vitórias. Sem resultados acabou por ceder o lugar a um homem da casa, José Viterbo. E em 3 jogos, o novo técnico da Briosa já conquistou 7 pontos, ajudando a equipa a respirar um pouco melhor na atual classificação. Viterbo conseguiu trazer maior força anímica a um grupo que tinha os índices motivacionais em baixo. Os valores e a mística do clube falaram mais alto. A luta pela sobrevivência na Liga continua, mas os indícios são positivos.
A dúvida – O apagamento de Capel
Diego Capel é um dos jogadores mais bem pagos do plantel do Sporting. Mas a sua utilização esta época está longe de corresponder a um jogador com o seu estatuto. O espanhol apenas foi titular uma vez em jogos da Liga e conta com uma média de utilização de 17 minutos por jornada. Com a chegada de Nani e as afirmações de Carrillo e Carlos Mané, Capel tornou-se a derradeira opção para as faixas ofensivas. O extremo perdeu claramente espaço. Estará o seu ciclo de leão ao peito perto de terminar?
