Duplo combate à espera de Vieira
Sem surpresa, Luís Filipe Vieira derrotou Rui Rangel nas eleições para a presidência do Benfica, com uma margem que lhe permite tornar-se o presidente de maior longevidade da história do grande clube da Luz.
Surpresa foi o “timing” do anúncio de Vieira, segundo o qual – preto no branco – os encarnados não renovarão o contrato com a Olivedesportos, no âmbito dos direitos televisivos. Vieira tinha alguma margem para gerir esse “timing”. Preferiu capitalizar, agora, os efeitos da “bomba atómica”.
A decisão estava tomada há cerca de meio ano. O impacto, nesta fase, foi relativo, mas uma coisa são notícias postas a circular; outra coisa são compromissos assumidos, publicamente, pelo próprio presidente do Benfica, que sustenta a sua posição em estudos económicos previamente encomendados. Não foi uma declaração “a quente”. Foi uma declaração sustentada num estudo (exibido para as câmaras). E, por isso, Vieira não tem recuo possível.
Tratou-se de uma decisão pensada, programada, sustentada. E que encerra grande responsabilidade, uma vez que o Benfica, deste modo, promete iniciar um novo ciclo na história do futebol português, agora sem a “tutela” de Joaquim Oliveira, o homem que, através da gestão das receitas dos direitos televisivos, conquistou um grande poder de decisão e influência nas finanças da maior parte dos clubes portugueses. Esta tomada de posição do Benfica e a decisão da Liga (com Mário Figueiredo) em fazer uma queixa para a Autoridade da Concorrência, a que se junta a anunciada venda dos títulos da Controlinveste (para pagar dívida à banca), reformula por completo a base de incidência das influências externas.
Quando partiu para a campanha eleitoral e logo que tomou conhecimento de que iria ter opositor nestas eleições, Vieira sabia que essa decisão poderia ser muito importante entre os indecisos. Percebeu-se rapidamente que Vieira recusava o reconhecimento de uma vitória fácil e indiscutível. E, à cautela, assumiu a “ruptura”, num dossiê em que, genericamente, os benfiquistas desejam uma mudança.
O caminho anunciado passa pela Benfica TV. Mas há questões em aberto, que acabarão por ser esclarecidas nos próximos meses: pode haver evolução para PPV (pay-per-view)? Em que condições se pode considerar o envolvimento da MEO e da ZON? Em que posição fica, juridicamente, o “direito de preferência” da Olivedesportos?
Uma coisa é certa: Filipe Vieira inicia o seu quarto mandato na presidência do Benfica em condições totalmente distintas daquelas que conheceu nos mandatos anteriores. A grande questão é saber se o combate externo, que necessita de total concentração, é possível realizar-se sem combate interno. Com Moniz, não vai ser fácil a vida de Vieira.
JARDIM DAS ESTRELAS
(4 estrelas)
Jackson Martínez após... Falcão
Falcão foi grande contratação, ainda por cima afastando o Benfica da corrida à aquisição do colombiano, um facto que a equipa de Rui Rangel não soube explorar na campanha eleitoral. Outro jogador da Colômbia (Jackson Martínez), que actuava no México, foi o ponta-de-lança escolhido pela SAD do FC Porto para compensar, desportivamente, a saída de Falcão para Madrid, depois das apostas insuficientes protagonizadas por Kléber e Janko. Martínez, que custou 9M€ (totalidade do passe), marca esta semana os primeiros golos pelo FC Porto na Champions, e veja-se a diferença da “qualidade do investimento” em relação ao jogador do Sporting mais caro de sempre, Elias (vide abaixo). É nestes ”pormaiores” que o FC Porto vem estabelecendo a diferença.
O CACTO
Caro Elias
É o jogador mais caro de sempre do Sporting, demasiado caro (cerca de 150.000€/mês) para aquilo que produz. As fracas prestações nos últimos 3 jogos (Basileia, FC Porto e Moreirense) levaram Oceano a relegá-lo para o banco, em Genk, sem o tirar de lá. Foi um claro sinal de insatisfação em relação ao sub-rendimento do brasileiro. Tendo custado quase 9M€ (8,85M€, mais precisamente), assinou contrato até 2016 e o Sporting detém 50% do seu passe. Se não rende, merece jogar? E a rentabilização? Uma dor de cabeça para Vercauteren resolver.
TEMPO EXTRA
Presidencialismo
Quando Godinho Lopes se aventurou na corrida à presidência do Sporting, acompanhava-o a convicção de não saber o suficiente de futebol para protagonizar o projecto, na sua vertente desportiva. Apostou em Luís Duque e Carlos Freitas para ganhar as eleições. Apostou também em Domingos Paciência e, depois, em Sá Pinto. Ao mesmo tempo, para garantir a eleição, fez-se acompanhar de um conjunto de figuras no Conselho Directivo. Carlos Barbosa e Paulo P. Cristóvão, por razões diferentes, também ficaram pelo caminho. Ao fim de um ano e meio, Godinho Lopes afasta os pilares do seu projecto para o futebol e, como tem sido prática nos últimos anos no Sporting, recorre à cooptação e a drásticas medidas (com importantes custos financeiros) para tentar ganhar um pouco mais de fôlego, fugindo à demissão.
Agora, a aposta em figuras de “baixo perfil” para exercer o presidencialismo. Quanto tempo durará o sonho de ser como Pinto da Costa? E... Vercauteren?!
[Este e outros assuntos serão tratados amanhã no programa “Tempo Extra”, da SIC Notícias, às 23 horas]
