E avançados, mister?
Mais do que questionar a chamada de A em detrimento de B, o que me preocupa ao olhar para a lista de 20 futebolistas convocados por Carlos Queiroz para o particular com o Brasil é constatar que apenas um avançado (Hugo Almeida) foi chamado.
Eu sei que, hoje em dia, muitos defendem que atletas como Simão, Cristiano Ronaldo, Nani ou mesmo Danny são avançados. Respeito a opinião, mas não concordo. Esses jogadores possuem, efectivamemente, características atacantes, mas não são avançados. Ou Raul Meireles, por exemplo, é defesa só porque, no meio-campo, envolve-se mais nas missões defensivas?
Lembro-me (e não gosto da recordação) de ver a Selecção jogar com muitos atletas ofensivos ao mesmo tempo, mas sem nenhum ponta-de-lança, um verdadeiro avançado. E nesse tempo, pese exibições de grande qualidade de génios como Figo, Rui Costa ou João Vieira Pinto, marcar golos era coisa rara. E sem golos não se ganha. Nem ontem, nem hoje...
Receio que estejamos a caminhar para mais uma época em que a Selecção tentará atacar de forma atípica. Como é que em 20 jogadores só há espaço para Hugo Almeida? É verdade que não temos muitas soluções para essa posição, mas é exactamente por isso que Queiroz devia apostar nos poucos que existem, dando-lhes confiança. Mas, ao invés, o seleccionador continua a não valorizar Nuno Gomes ou Hélder Postiga, com a agravante de que o primeiro é um dos capitães e um jogador com aptidão especial para, mesmo não marcando, abrir espaços para as entradas dos companheiros. Mas, sejamos claros, a ausência do benfiquista não surpreende. Após o regresso de Queiroz, o 21 nunca foi titular e em cinco jogos só jogou 47 minutos. Até os distraídos já tinham percebido que Nuno Gomes estava prestes a perder o "comboio". Mas, isso nem seria grave se o eleito do treinador - que foi sempre escolha inicial - tivesse desatado a marcar golos. O problema é que Almeida, com exibições apenas esforçadas, conseguiu somente um remate certeiro... em Malta.
Depois de dois jogos seguidos - um dos quais, em casa, perante a sofrível Albânia - a zero e quando é o próprio técnico a dizer que este embate com o Brasil é "uma óptima oportunidade para consolidar decisões e exaltar o espírito de Selecção", fico preocupado ao perceber que Queiroz quer ganhar as seis finais na qualificação para o Mundial'2010 fazendo fé em apenas um avançado. E esse, tendo alguma qualidade, não é propriamente Van Nistelrooy, Drobga, Eto'o ou Villa: não marca muito nem é regular nas exibições.
Improvisar será, seguramente, a opção seguinte. E lá teremos de ver, por exemplo, Ronaldo a actuar entre os centrais contrários. Não sou tão alérgico a essa opção que a rejeite liminarmente, mas recuso considerar que é ocupando esse posto que o madeirense é mais útil à Selecção. Quantos golos marcou ele, no United, como jogador fixo na área contrária? E quantos assinou começando nas faixas ou atrás dos tais pontas-de-lança? Aposto que os números são bem distintos!
