"E" de Europa
O sorteio da Liga dos Campeões de ontem vai permitir ao Benfica entrar na história da prova: será, tal como o FC Astana, a equipa que vai jogar mais longe de casa. Entre Lisboa e a capital do Cazaquistão são acima de 6.000 kms – é mais longe do que de Lisboa a Nova Iorque. Oficialmente, a antiga república soviética é um país transcontinental, com uma pequena parte a oeste dos Montes Urais e, por isso, na Europa. Mas pouca gente percebe como é que uma nação que territorial e culturalmente é quase toda asiática faça parte da UEFA – sim, o ‘E’ da sigla significa europeia.
Israel também fica na Ásia, mas há questões políticas a justificar a sua presença entre as federações europeias. A Turquia também está quase toda na Ásia, mas alguns dos principais clubes – Galatasaray e Besiktas, por exemplo – até têm a sede no Velho Continente, além de os turcos, culturalmente, serem muito mais próximos dos europeus do que dos asiáticos.
No caso do Cazaquistão, o FC Astana é um clube artificial, fundado em… 2008, sem apoio popular, e alimentado com os dinheiros públicos das riquezas naturais do país, em especial gás natural e petróleo. Tudo para dar prestígio a um regime político alérgico à democracia – o líder do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, que é presidente honorário do clube, está no poder desde a independência, em 1991, e já foi eleito até 2020.
Mas a UEFA parece não se importar. Um dia destes, a Champions jogar-se-á também em alguns países africanos. Haja dinheiro.
