E jogar com avançados?
Portugal não jogou mal com a Suécia. Dominou o encontro, rematou vezes sem conta e, assim sendo, podia perfeitamente ter marcado um golo, algo que deveria ser suficiente para amealhar os 3 pontos. Só que não marcou. Não marcou este sábado, no Dragão, da mesma forma que não tinha marcado, também em casa, com a Albânia, nem na deslocação à Suécia. Em partidas "a doer" esta foi a terceira consecutiva em que não se acertou uma única bola no alvo, apesar das mais de 50 tentativas. É mau, muito mau...
Sempre disse (e mantenho) que o futebol é um jogo e não uma ciência exacta. Aliás, comecei esta prosa exactamente por dizer que o desempenho efectuado no Porto podia te chegado para valer uma vitória. Mas, independentemente de tudo isso, gostava que alguém explicasse - nomeadamente o seleccionador Carlos Queiroz - se é normal ver uma equipa que tem óbvias dificuldades de concretização abdicar de um verdadeiro ponta de lança numa partida em que vencer era mais que essencial. Para mim, e respeitando todas as ideias (inclusive as de quem considerou que o melhor era fazer de Danny um falso dianteiro...), isso foi um erro. E não se podendo dizer que foi por causa disso que Portugal não marcou, a verdade que é esta inovação táctica (tão em voga durante a "Geração Dourada") não funcionou. Pelo menos do ponto de vista prático, pois já se sabe que jogar mais e melhor é uma coisa, mas ganhar é outra. Se fosse só pelo futebol praticado, provavelmente já teríamos visto Portugal campeão de alguma coisa no escalão sénior.
Fui defensor da contratação de Carlos Queiroz. Acreditava (e acredito) que era uma das opções mais válidas para suceder a Scolari mas, naturalmente, mentiria se não dissesse que, nesta altura, estou desiludido com algumas das suas opções, embora também saiba que não é ele que falha os remates, dos mais complicados, áqueles que parece impossível não acabarem nas redes contrárias. Neste jogo, já o disse, não entrar com um verdadeiro avançado foi errado, da mesma forma que colocar Pepe (que até jogou bem) como trinco não me parece lógico quando Portugal tinha de ganhar e não segurar o jogio. Se se tratasse de um embate em que a igualdade seria suficiente para nos qualificar até poderia entender a ideia, mas quando era obrigatório ganhar não percebo esta fixação em fazer alinhar mais jogadores com características defensivas quando o que se pedia era ataque, golos.
Agora, as contas que já eram complicadas estão completamente negras. Queiroz continua cheio de confiança (embora já esteja a reclaramar as eventuais grandes penalidades que ficaram por assinalar nos últimos jogo), mas eu (e seguramente muitos portugueses) tenho cada vez mais dúvidas. A menos que Portugal consiga ganhar os 5 jogos que restam. É possível? É, pois temos valores suficientes para isso. Mas é provável? Não, infelizmente não é. E se continuarmos a jogar com avançados só no período do desespero...
PS - Se o futebol não foi capaz de dar uma alegria ao País, Frederico Gil, em Miami, escreveu mais uma página dourada da história do ténis luso. Bater o croata Ivo Karlovic não é para todos, mas para lutador tenista de Sintra parece que não há impossíveis. Temos homem!
