E o problema é...
OBenfica tem hoje um problema, mas olhando retrospetivamente não é fácil identificar com precisão a sua natureza. Se recuarmos quatro meses, o Benfica tinha uma dificuldade que precisava de ser resolvida quanto antes: Oscar Cardozo. Hoje, mal ou bem, o problema parece estar sanado, de tal modo que Tacuara é já, com naturalidade, o melhor marcador do clube.
Durante a pré-temporada, enquanto o caso Cardozo não atava nem desatava, a questão era também encontrar um lateral-esquerdo. Bastaram três ou quatro jogos de Cortez para ficar evidente que as deficiências defensivas eram tais que o brasileiro desequilibrava uma defesa já em desequilíbrio. À última hora foi encontrada uma solução por empréstimo que oferece consistência defensiva e que, até ver, não envergonha.
Pelo caminho foi identificada uma outra fragilidade: Artur não dava garantias e era necessário uma alternativa ao guardião titular. Júlio César era para vir, mas felizmente não veio (o salário seria um absurdo), Oblak voltou, fez um mea culpa, e a baliza deixou de ser problema.
Resolvida a lateral-esquerda e superada a questão da baliza, o Benfica passou a necessitar de equilibrar o meio-campo. Depois de três anos com transições rápidas mas sem capacidade de pausar o jogo, era preciso encontrar um modelo alternativo ao de um médio-defensivo a jogar sozinho. A experiência Matic-Fejsa foi uma resposta adequada aos desequilíbrios defensivos.
A pairar sobre os problemas futebolísticos esteve, contudo, sempre um outro: Jesus expunha-se demasiado e era preciso que dirigentes surgissem a falar. Entretanto, Rui Costa recuperou protagonismo, Vieira desdobra-se em declarações e até Lourenço Coelho surge a falar amiúde. Jesus deixou de dar o corpo às balas quase sozinho.
Pode ser que esta paragem competitiva absurdamente longa sirva, pelo menos, um propósito: permitir que o Benfica identifique um mal que é difuso e não assenta em nenhum fator específico. Enquanto esse mal não for exorcizado, o Benfica estará condenado a resolver problemas concretos, sem ultrapassar a situação em que se encontra.
