É Porto ou nada
É amanhã que se decide o campeonato. Sim, ainda ficam 12 pontos por disputar, mas se o FC Porto não vencer, nem o mais incendiado dragão acreditará ainda no título. Portanto, à equipa de Pinto da Costa cabe ganhar ou apresentar desculpas aos adeptos, por tudo ter perdido num ano rico.
A derrota em Munique só amanhã poderá ser devidamente avaliada nos efeitos deixados na cabeça dos jogadores. Já nas pernas, os quilómetros estão lá. Principalmente no enorme sacrifício pedido a Jackson, numa tarefa quixotesca, entre já impantes gigantes bávaros.
A receção montada aos jogadores de Lopetegui, entre vivas e cânticos, na madrugada do Porto, não foi digna do mais vitorioso clube português das últimas décadas. Uma equipa perde 6-1, é eliminada da Liga dos Campeões, joga ao nível mediano de Chipre, e é recebida em festa? Está tudo louco?
O sinal dado aos atletas pelos adeptos foi de rendição. De alienação face à realidade passada, para assim tentar moldar o futuro próximo.
Este encantamento terminará ou prologar-se-á, conforme o resultado obtido amanhã.
Na equipa azul e branca, os sinais de saúde coletiva, até ao cataclismo da Alemanha, eram sólidos e claros. O FC Porto jogava o melhor futebol do campeonato, já há algumas jornadas. Bateu o Bayern de forma justa por um resultado animador. Até o céu estava aberto. Na segunda mão, sem laterais, Lopetegui decidiu inventar: optou por quatro centrais e, ao afastar Indi para a esquerda, comprometeu o mínimo de sincronismo entre centrais, que só poderia ser assegurado pelo holandês junto a Maicon. Foi na incapaz saída de bola da defesa, golpeado em lances aéreos, que o Porto construiu a sua dolorosa goleada.
E Pinto da Costa arriscou gracejar para microfones na véspera.
