E se JJ ganhar?
Jorge Jesus chega ao Sporting depois de ter entrado na história do Benfica; deita mãos à obra em Alvalade depois de, na Luz, ter emperrado o rolo compressor do FC Porto; regressa às origens, veste a camisola verde e branca e pisca o olho ao título que escapa há treze anos. Pela convicção insolente no saber, no trabalho e na competência de quem o rodeia, sente que está num plano superior, capaz de enfrentar aqueles que, por norma, são os carrascos dos treinadores comuns. Não negoceia as ideias, muito menos os caprichos; age como se estivesse acima do bem e do mal, tornando-se alvo de quem odeia o indomável, o provocador e o arrogante; porque tem respondido à hostilidade com êxitos indiscutíveis suscita o medo em muitos que esperam pelo momento certo para o porem em causa.
A nova etapa levanta um mar de interrogações, em contraponto com o oceano de esperança leonino. A dúvida assenta na diferença que separa o Sporting dos rivais mas também na combinação entre um presidente que raciocina e age, vezes em demasia, como elemento da claque (Bruno de Carvalho); um treinador todo-poderoso que não admite intromissões e um diretor-desportivo defensor das causas que representa e eterno amante de uma boa picardia (Octávio Machado).
Em 1970, Joaquim Meirim correu todos os riscos na defesa prévia de um Belenenses que iria cumprir o sonho dos seus adeptos. O malogrado mestre anunciou os azuis como campeões antecipados, agitando as águas para lá dos limites razoáveis. Nas vésperas do início do campeonato, deu uma entrevista à revista "Século Ilustrado", na qual a jornalista Maria Antónia Palla lhe fez a pergunta sacramental: "Meirim, e se perder?" O mestre respondeu com outra pergunta: "E se ganhar?" Num caso como noutro nada ficará como dantes.
