El-Rei Mourinho
Mourinho foi eleito o melhor treinador do Mundo no ano de 2010. Fez-se justiça na primeira atribuição deste prémio, que assim começa prestigiado por uma escolha objetiva e acertada.
Com uma equipa média-alta, se olharmos para plantéis e investimentos a nível europeu, Mourinho dominou em Itália, o que para o Inter já não era surpresa, mas principalmente vergou a Europa numa caminhada vitoriosa até à final de Madrid, frente ao Bayern e ao seu antigo mestre em Barcelona, Van Gaal. Venceu sem discussão.
Mesmo no calculismo antiespetáculo com que vergou o Barcelona, Mourinho foi épico. Capaz de colocar artistas com a cultura hedonista de Eto’o a defender num sacrifício extremo, como se disso dependesse a própria vida.
Esse é o grande segredo de Mourinho, uma empatia dinâmica com cada jogador, desenvolvida por métodos de treino inovadores, trabalho intenso e carradas de carisma.
Claro que nem o “special” Mourinho sobrevive a demasiadas épocas com o mesmo núcleo de jogadores a quem exige o máximo, dia após dia. O erro de ter persistido uma época a mais do que a conta, no Chelsea, valeu-lhe uma saída menos nobre do que merecia o maior general do futebol presente.
Só Guardiola, com um estilo mais contido em punhos de renda, lhe poderá disputar este título, nos próximos tempos. Mas a Guardiola falta provar o valor mostrado em Barcelona noutros ambientes, longe do colo doce da pátria catalã.
Mourinho ganhou o prémio relativo ao ano 2010. Veremos como corre 2011. Para já, mantendo o verbo correr – nunca, na última década, o Real Madrid correu tanto e tão solidário enquanto equipa.
Obstáculo para Mourinho é que, do outro lado, está o melhor Barcelona de sempre.
E quem não ganha o título de Espanha, nunca será rei em Madrid.
