Em defesa de Fernando Santos

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Em defesa de Fernando Santos
Em defesa de Fernando Santos

Já passou mais de uma semana do jogo entre Portugal e Arménia e ainda hoje não consigo entender as duras críticas que muitos fizeram a Fernando Santos. Portugal venceu, por 1-0, e conquistou os 3 pontos, o que era, sem dúvida, o mais importante. No primeiro jogo de qualificação perdemos em casa frente à Albânia, um adversário muito parecido com a Arménia. Ambas as equipas sabem que são muito inferiores em todos os aspetos a Portugal e a única estratégia que utilizaram foi defender o tempo inteiro. O grande objetivo de formações deste tipo é destruir o jogo ofensivo do adversário. Não podem dar o mínimo de espaço e atuam com duas linhas muito baixas. Dois autênticos autocarros! A única maneira de desbloquear ou romper este bloco mega-defensivo, em que muitas vezes surgem os onze elementos dentro da própria área, é marcar cedo, desmontando assim a estratégia.

Todo o planeamento cai, nesse momento, como um castelo de areia. Normalmente este tipo de jogos ou é de extrema dificuldade ou acaba em goleada. Mas, enquanto está empatado, consegue-se manter a concentração e a organização defensiva, e, a cada minuto que passa, sonha-se que é possível o empate. Outras vezes, por milagre, consegue-se chegar a um golo através de uma bola parada ou contra-ataque, tal como aconteceu na derrota que tivemos frente à Albânia.

Fernando Santos sabia, fruto da sua experiência, da importância de um golo cedo e apostou, de início, em Ronaldo, Nani, Danny e Postiga. A intenção era resolver o jogo rapidamente para depois se pensar numa boa exibição e consequente goleada. Infelizmente, o golo só apareceu aos 72 minutos, mas o importante é que ganhámos. Aqueles que criticaram o Fernando depois do jogo de certeza que estavam de acordo com onze titular, especialmente com os quatro jogadores que podem fazer um golo em qualquer momento.

Depois de um Mundial que foi uma desilusão, e da dura derrota na primeira jornada de qualificação para o Europeu’2016, em casa, frente à Albânia, com a chegada do Fernando ganhámos os dois jogos oficiais seguintes. É verdade que nenhum deles foi com números expressivos (todas as vitórias, ficaram pelo 1-0), mas é bom acentuar que não sofremos golos em nenhum deles. As críticas ao selecionador existem, e sublinham que a equipa está mais velha, mas eu penso que esta transição de gerações deve ser feita com o tempo. O importante é estar no Europeu de França. Foram, por outro lado, recuperados jogadores com uma qualidade inegável, como Ricardo Carvalho, Tiago, Ricardo Quaresma e até mesmo Bosingwa. No fundo, esta minirevolução trouxe experiência e qualidade e permitiu criar uma base para o lançamento de novos jogadores como João Mário, André Gomes ou Raphael Guerreiro. Algumas críticas ao selecionador foram por isso injustas. O Fernando leva dois jogos oficiais e duas vitórias, conseguidas depois de uma derrota com a Albânia, em que tudo estava num caos. Passo a passo, demonstra toda a sua competência. Sem dúvida que, com ele, estaremos no Europeu de França.

No final do jogo com a Argentina, Nani deixou em aberto a possibilidade de voltar em janeiro ao Manchester United. Compreendo a situação dele. Gostaria que continuasse em Portugal e até que terminasse a carreira no Sporting. É um autêntico craque. Mas, por outro lado, entendo que Old Trafford seja o seu sonho, pois vê-lo como uma nova oportunidade de se afirmar definitivamente na Premier League.

Continuando com o tema Sporting, fiquei muito feliz pela homenagem que fizeram ao meu querido e grande amigo Manuel Fernandes, mas mais contente ainda fiquei com as pazes feitas entre ele e o presidente do Sporting. O Manel é um grande sportinguista, um homem que deu tudo pelo seu clube e não seria justo que esta guerra continuasse quando tanto ele como o presidente Bruno de Carvalho querem e lutam por um Sporting cada vez melhor. Parabéns aos dois pela atitude!

Grande caldeirada - Jogar para o empate

Costa do Marfim e Camarões necessitavam apenas de um empate para se qualificarem para a CAN e obviamente esse empate aconteceu. Muitos foram os que criticaram esta atitude, ainda para mais quando, nos minutos finais, nenhuma das equipas tentou sequer disfarçar o seu objetivo. Entendo. Quem seria o louco que iria arriscar tudo e falhar a qualificação? Não é a primeira vez que acontece e certamente não será a última. Há que arranjar alternativas. Fica a dica aos líderes mundiais do futebol!

Nós lá fora - Raphael Guerreiro

Ao ver os jogos da Seleção frente à Arménia e Argentina, fiquei surpreendido com as exibições do menino Raphael Guerreiro. Filho de emigrantes, foi obrigado a começar a sua carreira em França. Lutou por um lugar no mundo do futebol e, aos poucos, começa a conquistá-lo. Já o tinha visto jogar pela Seleção sub-21 e tinha gostado muito da sua capacidade ofensiva. Agora, na equipa principal, é sempre mais difícil. Impressionante a qualidade e maturidade que demonstrou em ambos os jogos. Parabéns e boa sorte!

Do meu álbum - Sentimento único

Marcar o golo contra a Argentina na sua segunda internacionalização é a realização de um sonho de toda a vida. Qualquer miúdo que começa a jogar futebol no seu bairro tem como objetivo principal jogar com a camisola das quinas e marcar um golo. Quando este momento chega sente-se um sentimento de felicidade único. Foi o que aconteceu com Raphael, na terça-feira, em Manchester. E isso de ser muito parecido ao que eu senti quando marquei o meu primeiro golo com 18 anos na Seleção A. Um sentimento único!

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