Em defesa do juiz do lacinho
Não fujo ao sentimento de revolta que percorreu o País pela maneira como se procedeu a nova detenção do ex-presidente benfiquista Vale e Azevedo. A desumanidade é uma das marcas deste início de século e a sociedade portuguesa começa, infelizmente, a afastar-se de uma das suas melhores características: os brandos costumes.
Daqui envio, por isso, à mulher e aos filhos de João Vale e Azevedo uma saudação especial pela coragem com que enfrentaram mais esta dor. Agora, dirijo também uma palavra de renovada confiança ao juiz Ricardo Cardoso, que não conheço, mas cujo comportamento acompanhei durante alguns anos através de um ex-amigo comum.
E das impressões que então recolhi fiquei com a certeza de se tratar de uma pessoa isenta e impoluta, de um magistrado profundamente empenhado no seu trabalho e na procura da verdade, logo, com dois objectivos que devem agradar a todos os cidadãos: o castigo dos culpados e a absolvição dos inocentes. Aceito apenas que Ricardo Cardoso assuma por vezes um protagonismo dispensável e que haja quem não goste do laço. Mas se estão à procura do juiz perfeito, desiludam-se. Ele simplesmente não existe.
Simão
Foi cedo demais para Barcelona, um erro que pode ter sido agora repetido por Ricardo Quaresma. Mas o mal de uns é o bem de outros. Neste caso, o bem foi do Benfica, que recebeu um futebolista que precisava de jogar, ainda antes dos tempos das vacas assumidamente magras na Luz.
Ficou com uma mais-valia importante, mas também invulgar na política suicida de contratações que levou a cabo antes da chegada, honra lhe seja, de Luís Filipe Vieira.
E o presidente benfiquista, mesmo com pouco dinheiro, teve a lucidez de entender que existia uma prioridade no Benfica: renovar com Simão, salvaguardar a jóia da coroa. Contar com Sabrosa é já meia-esperança.
Carlos Martins
Inigualáveis tempos estes em que no futebol como em muitas outras profissões se tem de lutar até à exaustão pelo direito a uma oportunidade. E pode não chegar. Penso nisto aqui mesmo, no Record, em plena redacção: quantos jornalistas terei na minha frente que só precisariam de uma oportunidade para afirmarem um nível profissional bem superior ao que conseguem exibir? Mas é assim a vida.
Carlos Martins partiu para Campo Maior e o Sporting arrependeu-se. Depois, chamou-o, atirou-o primeiro para o banco e a seguir para um novo exílio em Coimbra. Lá brilhou e voltou uma vez mais a Alvalade. Será desta que fica ou o engenheiro irá deixar repetir o erro? É que um dia ele vai e já não volta.
Camacho
Guardo dentro de mim uma enorme admiração por José Antonio Camacho, e o Júlio Magalhães é bem capaz de ter razão ao antever uma futura contratação do técnico espanhol por parte do FC Porto. O abraço que trocou com José Mourinho por altura do último Benfica-FC Porto tem um segundo e óbvio significado: Pinto da Costa gosta do homem.
Bem, mas alturas há em que penso que Camacho sofre de qualquer problema. Quando, finalmente, se pensava que o Benfica tinha encontrado a dupla ideal de centrais, a dupla branca (que bem jogou contra o FC Porto!), eis que o nevoeiro trouxe de novo à ribalta a dupla negra, respeitável, mas desastrosa. Ai, Joselito, Joselito...
João Pinto
O avançado do Sporting, ex-menino de ouro do futebol português, atravessa um dos piores momentos da sua carreira - uma carreira já com 15 anos ao mais alto nível. Casou-se demasiado cedo e formou com a futura ex-mulher um dos casais mais sólidos (e invejados) do desporto nacional.
A separação deu-se há pouco tempo, numa altura nada favorável ao jogador, já a debater-se com as dolorosas sequelas da agressão ao árbitro Angél Sanchez, no último Mundial. Foram duas provações seguidas que caíram precisamente em cima daquela fase do ciclo competitivo em que as pernas e o coração começam a impor uma quebra de rendimento em obediência às leis da vida.
João Pinto continua o mesmo futebolista talentoso de sempre, mas cada vez são mais raros os momentos de magia em que empolga o público. Agora, sofre ainda o embate do afastamento, praticamente definitivo, da Selecção Nacional, dando-se por seguro que Scolari jamais convocará um jogador que "perdeu a cabeça" daquela maneira ao serviço da equipa de todos nós.
João Pinto tem de fazer um apelo à sua conhecida determinação para ultrapassar tudo isto. Porque pode, se o conseguir, ter ainda muito para dar ao futebol português.
Belém
Sabe-se, pelo que aqui tenho dito, da minha preocupação pela situação do Belenenses. Hoje, após a derrocada de 0-5 com a Académica, pretendo apenas reforçar a minha confiança em Inácio - ele vai dar a volta à situação. E quero, ainda quanto ao afastamento de Marinho Peres, dar conta de um pedido de correcção do presidente azul, Sequeira Nunes, que lembra ter sido o técnico brasileiro a pedir "por diversas vezes" a demissão, o que acabou por ser aceite.
Não vou entrar em polémica com o dr. Sequeira Nunes, que admiro, mas lembro-lhe os jogadores contratados pelo "Belém" à revelia de Marinho - um claro desrespeito pelo seu trabalho. Restar-lhe-ia outra solução que não fosse partir?
Perguntas leva-as o vento...
1. Qual foi o jogador que ocupou o seu dia de folga para ir com a mulher a uma cidade distante ver um desfile de moda e que foi repreendido pelos dirigentes do seu clube após publicação de fotos (normalíssimas) do casal nas páginas dos jornais?
2. Qual é o clube com tão pouco "fair-play" que para ganhar um simples torneio apareceu no último dia reforçado com as vedetas, ao contrário do combinado?
3. Será verdade que Santana Lopes vai ser apoiado na candidatura à Presidência por todas as revistas cor-de-rosa por causa das capas com as primeiras-damas?
4. Qual é o jornal desportivo que está à beira de perder mais três dos seus melhores jornalistas?
O vento traz as perguntas, o vento leva as respostas...
