Emigrantes de boa fama
Há cada vez mais treinadores portugueses a encontrarem oportunidades de trabalho por esse mundo fora. Os números recentes apontam para a existência de quase três dezenas de técnicos principais lusos espalhados pelos vários continentes. É certo que a notoriedade internacional de José Mourinho e André Villas-Boas ajudou a abrir portas, mas é inegável que o mercado da bola tem reconhecido mérito e qualidade à maioria dos nossos profissionais. Os exemplos variam e os resultados falam por si.
Esta semana, Pedro Caixinha foi apresentado como treinador do Santos Laguna, que é só o atual campeão do México. Uma boa surpresa e um justo prémio para um técnico que prima pelo bom futebol praticado pelas suas equipas. O português tem agora um clube à altura do seu potencial, que poderá ser finalmente confirmado nos próximos meses.
Mas há mais emigrantes de sucesso. É justo realçar a excelente campanha que Leonardo Jardim está a realizar no Olympiakos. Em apenas 11 jogos, o campeão grego já lidera a liga isolado (e invicto) com 8 pontos de vantagem sobre o PAOK. Jardim teve uma entrada de leão e a conquista do título é um cenário mais que provável.
Os gregos têm, aliás, uma forte admiração por treinadores portugueses. Em boa parte, isso deveu-se ao bom trabalho de Fernando Santos no país, onde foi nomeado o melhor treinador da década e apontado como selecionador. E não deixa de ser curioso que, no outro grande clube da Grécia, o Panathinaikos, os primeiros nomes falados, após a saída recente de Jesualdo Ferreira, tenham sido os de outros dois técnicos portugueses: Manuel Cajuda e Sá Pinto.
Bem perto, no Chipre, está Jorge Costa. Lidera o campeão em título AEL Limassol e já começou a ter bons resultados, aproximando a equipa do topo da classificação. Com vários jogadores conhecidos do futebol português no seu plantel, incluindo o internacional luso Orlando Sá, Jorge Costa tem condições para revalidar o cetro.
Por outro lado, há mais duas seleções lideradas por portugueses. Paulo Duarte, que depois do excelente trabalho realizado no Burkina Faso, assinou pelo Gabão e já deu nas vistas no brilharete conseguido com Portugal. Já Carlos Queiroz é selecionador iraniano e persegue o apuramento para o Mundial’2014. O Irão alberga ainda os consagrados Manuel José (Persepolis) e Toni (Tractor).
E pela Ásia, as experiências de Nelo Vingada (Dalian Shide) e Jaime Pacheco (Beijing Guoan) na China, também se notaram num campeonato que tem crescido de ano para ano. Jaime Pacheco conseguiu mesmo um lugar no pódio, terminando em 3º lugar, enquanto Nelo Vingada garantiu a manutenção da sua equipa no escalão principal.
Falta falar de Paulo Sérgio
Depois de vencer a Taça da Escócia ao serviço do Hearts, o desafio de liderar o campeão romeno surgiu na melhor altura. A estreia na Liga dos Campeões foi auspiciosa e a vitória sobre o Sp. Braga serve de tónico para o que o Cluj enfrenta na competição interna. O clube está a 16 pontos do 1º lugar e terá de encurtar distâncias.
Jorge Jesus disse um dia que “os treinadores portugueses são dos melhores do mundo”, capazes de treinar em qualquer lugar. Concordo com a ideia. Os nossos técnicos evoluíram muito. Têm um conhecimento aprofundado no plano tático, atenção cuidada a todos os pormenores científicos e um forte enfase na motivação dos atletas. Em qualquer parte do planeta, o treinador português dá quase sempre garantias.
O Craque – Engenho não olha a idades
No grupo de melhores marcadores da Liga dos Campeões, com 5 golos, junto a Messi e Cristiano Ronaldo, está o brasileiro Alan. Um feito apreciável do avançado do Sp. Braga que, apesar da veterania, tem mostrado toda a sua qualidade. Conjuga técnica, potência e capacidade de finalização. É um criador de desequilíbrios. Pena que a sua passagem pelo FC Porto, na altura, tenha sido ofuscada por um tal de Ricardo Quaresma, que lhe roubou protagonismo nas alas. Com um pouco de sorte, poderia ter ido ainda mais longe.
A Jogada – Médios portistas com poder fogo
A consistência ofensiva revelada esta época pelo FC Porto tem revelado uma característica pouco frequente em anos anteriores: os médios estão a ter maior poder de fogo. Lucho, João Moutinho e Defour têm arriscado mais vezes na hora de rematar à baliza e isso tem-se repercutido em mais golos para os dragões. Vítor Pereira parece ter retificado o problema, aproximando mais os médios dos avançados, o que tem favorecido as desmarcações e a abertura de espaços. Para já, a estratégia tem estado a funcionar.
A Dúvida – Mercado de inverno está a chegar
O mercado de inverno começa a aproximar-se e, apesar de estarmos em tempo de vacas magras, os adeptos já se questionam sobre possíveis craques que podem vir colmatar lacunas existentes nas suas equipas. Por outro lado, o destino das equipas nas competições europeias poderá condicionar qualquer decisão de compra ou venda. Irá o FC Porto vender alguma das jóias da coroa? Será que o Benfica vai contratar um médio? É desta que vem mais um avançado para o Sporting? Quem vai estar mais ativo no mercado?
