Emoção a três
Com a troca de insultos, ontem, na reunião dos presidentes em Fátima, quase se poderia desfocar do campeonato mais envolvente dos últimos anos. Entre gagás e gugús, alguém se irá arranjar para a liderança da Liga, com o mesmo perfil de sempre – muito jogo de cintura e respeito pelos interesses instalados, que isto de Figueiredos disruptivos, quais Neros a tocar harpa entre chamas, não dá neste pântano que ainda persiste no dirigismo futebolístico nacional.
Voltemos então à bola a rolar sobre tapetes maltratados: Paulo Fonseca lá saiu, com a novela que aqui antecipámos no sábado passado. Mas se Luís Castro – o interino de serviço – não arrancar uma boa exibição frente ao Arouca, por mais que se rasguem vestes em desmentidos oficiais, o mais provável é vermos Marco Silva arrancar do Estoril para o FC Porto já no início da próxima semana. O FC Porto tem ainda frentes de batalha relevantes – à cabeça a Liga Europa –, não pode titubear por mais tempo um futebol mal-amanhado, que aqui dissecámos em várias ocasiões.
Com este FC Porto de fraquíssima colheita beneficiou a indefinição do campeonato, que ainda pode ter três candidatos ao título. O Benfica é o mais sério pretendente. Este encontro com o Estoril é o reviver de um pesadelo recente. Se os comandados de Marco Silva – um predestinado para o mando técnico – barrarem o caminho ao Benfica, ainda muita emoção poderão reservar as últimas sete jornadas da competição. Se, pelo contrário, o Benfica for categórico na vitória deste domingo, dificilmente o título lhe poderá fugir, face à diferença de pontos, à natural galvanização e à deficiente valia do plantel do Sporting.
Os jogadores à disposição de Leonardo Jardim são explorados ao máximo – vários estão a jogar acima do que normalmente, noutras circunstâncias, valeriam ou valerão –, mas, por mais que os sportinguistas estejam esperançados, não parece haver estofo para fazer um campeão. Como muito provavelmente se verá já amanhã em Setúbal, ou no próximo fim de semana frente a um FC Porto já realinhado, seja pela mão de Luís Castro, seja pela de Marco Silva.
No caso de Marco Silva, convém lembrar que também Mourinho não foi campeão na época em que agarrou na equipa. Depois, foi o que se viu.
