Opinião

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Emoção sim, mas dentro de campo

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Estamos na contagem decrescente para o dérbi de Lisboa. O jogo de domingo já teria aperitivos suficientes, mas os acontecimentos das últimas semanas, com posições extremadas de ambos os lados, acrescentaram-lhe fervura, talvez até em demasia. Mas mais do que aquilo que se passou ou passa fora de campo, o que é realmente importante acontecerá dentro do relvado, onde os principais protagonistas, jogadores e treinadores, têm todas as condições para realizarem um encontro pleno de intensidade e emoção.

Tal como referi na altura do FC Porto-Benfica, e a exemplo do que se verificou em anos anteriores, num campeonato por vezes nivelado por baixo em termos competitivos, as partidas entre as equipas mais poderosas podem assumir um peso importante nas contas finais. Daí que este Benfica-Sporting seja um jogo onde ninguém pretenderá falhar.

Não passará pela cabeça de Rui Vitória perder mais terreno para os adversários diretos. E o Benfica, nos jogos em casa, apresenta uma fantástica média de 4 golos por partida, o que demonstra forte apetência das águias para marcar na Luz, uma casa à qual Jorge Jesus vai regressar motivado e citando o próprio, 'de peito cheio', para tentar vencer o anterior clube. A poupança de quase todos os titulares no jogo de ontem para a Liga Europa é um claro prenúncio de que o técnico do Sporting quer que a sua equipa se apresente na máxima força no domingo. Além disso, a estatística diz que os leões têm um dos melhores ataques a jogar fora de casa.

Ao contrário do que se passou na partida da Supertaça, acredito que este venha a ser um jogo mais rápido e com as duas equipas a encaixar no esquema tático uma da outra. Quem souber aproveitar as laterais e executar melhor a pressão sobre a bola nos duelos do miolo do terreno, estará mais perto do controlo das operações. Jogadores como Samaris e William Carvalho podem ser elementos essenciais no processo de construção de jogo de cada um dos oponentes.

Por outro lado, numa partida em que um pormenor pode fazer a diferença, os artistas podem assumir a palavra no que respeita a desequilíbrios. No Benfica, Gaitán e Jonas assumem-se como as principais armas. O argentino é o rei das assistências da Liga e um jogador capaz de tirar um coelho da cartola a qualquer momento. Já o experiente avançado brasileiro lidera a lista dos melhores marcadores e é bom lembrar que os seus 7 golos no campeonato foram todos apontados na Luz, um habitat em que tem sido mortífero.

Já o Sporting tem no argelino Slimani um avançado que se tem dado bem com os ares da casa do rival, onde já apontou 2 golos e que apontou um hat trick na jornada anterior. Um jogador que é cada vez mais preponderante na estratégia de Jorge Jesus, enquanto referência para os companheiros. Provavelmente sem a magia de Carrillo, os leões terão nos talentosos Matheus Pereira (de pé quente nos últimos jogos) e Gelson Martins possíveis apostas para desequilibrar.

Acima de tudo, e depois de tanto confronto bélico, expresso o meu desejo para que o dérbi lisboeta possa decorrer sem problemas. Que sejam os jogadores e os duelos táticos a dar nas vistas e não quem fica de fora das quatro linhas. E que sejam também os adeptos de ambos os clubes a mostrar que a rivalidade também pode existir com respeito e fair play. Todos os intervenientes devem saber defender a indústria do nosso futebol.

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