Empates azuis reabrem a Liga

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Quando tudo parecia indiciar uma triunfal caminhada até ao título, o FC Porto começou a "descarrilar" e, agora, já tem o Benfica "à perna", com os encarnados, matematicamente, a dependerem apenas de si para terminar na primeira posição.

Significa isto que, de repente, os dragões deixaram de ser o principal candidato à conquista do ceptro? Não me parece! Os portistas, tanto a nível nacional, como na Liga dos Campeões, já mostraram ser mais consistentes que águias e leões. O problema é que, por vezes, é preciso mais do que consistência. Falo, por exemplo, de objectividade, determinação ou empenho. E aí, a exemplo do que observámos o ano passado a partir de Janeiro, parece que os pupilos de Jesualdo Ferreira têm tendência a cair no deslumbramento. Isso é perigoso. Foi por causa disso que, na temporada passada, chegaram a ver ameaçado um título que devia ter sido conquistado várias semanas antes e, agora, já só possuem 4 pontos de vantagem. O empate na Reboleira não se coaduna com o rigor que uma equipa de alta competição deve ter.

Sem retirar mérito à recuperação encarnada, convém acrescentar que ela só teve lugar porque, para além dos deslizes alheios, a sorte tem dado uma ajudinha importante. Com Marítimo e Paços de Ferreira os 3 pontos só foram assegurados nos últimos minutos e, no domingo, diante do Boavista, uma partida complicadíssima até aos 60 minutos - conforme Camacho recordou - acabou, subitamente, em goleada. É certo que a sorte costuma dar muito trabalho e que acreditar até ao final é um mérito, mas pensar que na Luz nasceu, em semanas, uma super-equipa não faz sentido.

Quem não está a aproveitar os deslizes do campeão e, pelo contrário, atrasa-se cada vez mais é o Sporting. Culpa do treinador? Culpa dos jogadores? Não sei, mas arrisco dizer que o problema está no escasso número de soluções válidas existentes no plantel. Se é justo dizer que em Alvalade existem excelentes jogadores, também me parece adequado acrescentar que a segunda linha deixa a desejar. O Sporting está em todas as frentes neste momento, mas nas duas mais importantes (Liga e "Champions") já fraquejou. Liedson, Polga, Moutinho, Abel, Romagnoli e Veloso têm estado ao seu melhor nível, mas jogadores como Purovic, Djaló, Gladstone, Stojkovic, Tiago, Had, Celsinho, Farnerud, Paredes ou Pereirinha não dão garantias de forma continuada. E um clube que quer estar forte em quatro competições não se safa somente com meia dúzia de bons jogadores. Nem com uma dúzia...

Ainda em relação aos embates da última ronda, gostava de destacar a forma lúcida e honesta como os treinadores dos grandes analisaram os embates das suas equipas. Jesualdo Ferreira e Paulo Bento não estiveram com "paninhos quentes" e deixaram as orelhas dos futebolistas a arder, enquanto Camacho assumiu, sem rodeios, que o resultado da Luz foi falso tendo em conta a produção de Benfica e Boavista.

PS - Depois de Binya, na Escócia, ter tido uma entrada arrepiante, agora foi a vez de Ricardo Silva agredir Cardozo. Paulo Paraty nem falta viu!

PS 1 - Tendo em conta que o Benfica não tem tido um defesa direito capaz ao longo da época, nem um lateral esquerdo com nível para render Léo, não deixou de ser curioso ver as exibições de João Pereira e Jorge Ribeiro no domingo. E pelo que tenho observado e lido, os bons desempenhos têm sido norma. Depois ainda ouvimos os dirigentes lusos falar na necessidade de apostar na formação. Para quê?

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