Empatia e apatia
Poucas vezes um técnico terá chegado a um grande clube português com a fasquia da expectativa tão baixa como Vercauteren nesta entrada no Sporting. A equipa perdeu-se no caminho para o golo, para a vitória, a equipa não existe. O Sporting estende-se pelo campo em mais de sessenta metros ocupados por estranhos todos estranhamente vestidos com a mesma camisola, sob o mesmo emblema.
Antes de mais nada, cabe a Vercauteren devolver a memória aos jogadores. Wolfswinkel, Schaars, Rinaudo já jogaram juntos – lembram-se? Talvez o técnico belga devesse colocar todos os jogadores num círculo bem fechado durante um bom quarto de hora, em silêncio, só a olharem uns para os outros. O problema do Sporting é de identidade. Os jogadores não sabem quem exatamente são em campo e por isso nada sai de forma harmoniosa. O futebol é muito feito de empatia, ora o Sporting está apático.
Custa acreditar que Vercauteren, ou qualquer outro técnico no seu lugar, possa inverter esta tendência negativa. Mas é possível. Aliás, voltando à primeira ideia deste texto – jogar pior do que o Sporting fez nas últimas partidas é quase impossível.
Se o jogo continuar tão enfadonho e feio como o de ontem, depressa os adeptos tirarão os olhos do relvado para apontarem quem de facto terá de assumir a responsabilidade pelo desastre – Godinho Lopes.
P.S. – Luís Filipe Vieira foi conduzido pelos sócios para mais quatro anos na liderança do Benfica. Logo depois, Pinto da Costa encheu a imprensa com os seus mil jogos bem contados. Vieira terá para a próxima época o arriscadíssimo embate com a realidade do verdadeiro valor dos seus direitos televisivos. Já a Pinto da Costa bastará continuar lúcido para ainda mais se afirmar como o maior génio de sempre do dirigismo desportivo nacional. Para o bem e para o mal.
